RJ em Foco
Em meio à crise política e após megaoperação, Paes vai à Itália discutir segurança; Guaraná, presidente do TCM, assume prefeitura
Enquanto o governador Cláudio Castro e o ministro Guilherme Boulos trocam farpas após a morte de 121 pessoas em ação policial, o prefeito e o vice do Rio embarcam para Roma; cidade ficará sob comando do presidente do TCM, Luiz Antonio Guaraná
Após semanas marcadas pela — que deixou 121 mortos, entre eles quatro policiais — e por uma escalada de tensão política entre o governador Cláudio Castro (PL) e o governo federal, o prefeito Eduardo Paes e seu vice, Eduardo Paes e Cavaliere, embarcam nesta segunda-feira para Roma, na Itália. A viagem tem foco em reuniões sobre segurança pública, cooperação internacional e combate ao crime organizado, segundo a agenda oficial divulgada pela prefeitura.
'Desculpa não traz o pai dos meus filhos de volta':
Muro do Bope:
Entre os compromissos estão encontros com o Serviço de Cooperação Internacional de Polícia (SCIP), a Direção Central de Polícia Criminal e agências federais de combate ao crime organizado do Ministério do Interior Italiano. A programação também inclui uma audiência com o Papa Leão XIV, na quarta-feira.
Durante o período, a administração municipal ficará sob responsabilidade de Luiz Antonio Guaraná, presidente do Tribunal de Contas do Município (TCM-RJ), que assume interinamente o comando da prefeitura. O cargo caberia, em tese, ao presidente da Câmara Municipal, Carlo Caiado, que está temporariamente afastado da função.
Segundo publicação no Diário da Câmara Municipal (DCM) da última quinta-feira, Caiado comunicou seu afastamento temporário da presidência entre os dias 6 e 15 de novembro. O documento, porém, não informa o motivo do afastamento. Com isso, a sucessão administrativa passou ao presidente do TCM, que assumiu interinamente.
Luiz Antonio Guaraná foi sub-prefeito da Barra da Tijuca na década de 1990 e vereador entre 2000 e 2012. Ele foi eleito conselheiro do Tribunal de Contas em 2014, onde assumiu a presidência em 2021. Ele é o quarto e último da linha sucessória, pela Lei Orgânica do Município, a assumir a cidade.
O primeiro na linha sucessória é o vice-prefeito Cavaliere, que está na viagem com Paes. A lei prevê então que assuma o presidente da Câmara, Carlo Caiado (PSD), mas ele também não pode.
Seguindo a linha sucessória, o vice-presidente, Willian Coelho (DC) deveria assumir a cadeira, mas ele também está afastado. Por fim, a lei diz que o prefeito será o presidente do Tribunal de Contas do Município.
A Câmara de Vereadores também ainda não informou o motivo do afastamento de Caiado nem do vice-presidente da Casa.
Tensão política
A viagem ocorre em um momento de forte desgaste político no estado. A chamada megaoperação, realizada no Complexo do Alemão e da Penha, no dia 28 de outubro, foi classificada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma “matança”. Em entrevista a correspondentes internacionais, no dia 4 de novembro, o petista afirmou que a ação foi “desastrosa” e defendeu uma investigação sobre as circunstâncias das mortes.
Lula chama de 'matança'
Castro classifica como 'sucesso' operação com mais de 120 mortos:
Já o governador Cláudio Castro, um dia após a ação, no dia 29 de outubro, classificou a operação como um "sucesso" e afirmou que "de vítimas lá só tivemos os policiais". A divergência de narrativas expôs o atrito entre o Palácio Guanabara e o Planalto, e culminou em uma troca de farpas públicas no fim de semana entre Castro e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL).
'Paspalhão'
Neste fim de semana, durante uma agenda em São Paulo, Boulos acusou Castro e outros governadores de fazerem “demagogia com sangue” ao celebrar a operação. Questionado sobre as declarações, o governador chamou o ministro de Em resposta, Boulos ironizou nas redes sociais:
“Vou dar um desconto. Ele deve estar muito angustiado com o avanço das investigações depois da prisão do seu parceiro TH Joias”, disse Boulos, numa referência ao deputado estadual TH Joias (MDB), preso pela Polícia Federal sob suspeita de ligação com o Comando Vermelho.
Apesar das trocas de acusações, o governo federal e o estado anunciaram na semana passada a criação de um Escritório Conjunto de Combate ao Crime Organizado, para integrar esforços de investigação e inteligência entre as forças estaduais e federais.
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