RJ em Foco
'Criamos um muro do Bope' na área de mata e retiramos roupas táticas dos mortos, diz secretário da PM sobre megaoperação
AO menos 120 pessoas morreram, o que torna a operação mais letal do país
O secretário de Polícia Militar Marcelo Menezes explicou nesta quarta-feira parte da estratégia feita nos complexos da Penha e Alemão, Zona Norte do Rio, foi de criar um "muro do Bope", o Batalhão de Operações Especiais, na área de mata anexa às favelas. O comandante da PM ainda disse que quem quis se entregar, foi preso e que os agentes encontraram os mortos com roupas táticas. A ação deixou ao menos 120 mortos e é a mais letal da história de uma polícia brasileira.
Cadáveres enfileirados:
Castro classifica como 'sucesso' operação com mais de 120 mortos:
— Incluímos a incursão de tropas do Bope para a parte mais alta da mata da Misericórdia criando um muro do Bope, fazendo com que os marginais fossem empurrados para a área mais alta pelas outras incursões. Nosso objetivo principal era proteger as pessoas de bem da comunidade. A maior parte do confronto se se deu na área de mata, onde a nossa tropa estava disposta, e foi uma opção dos marginais — diz ele.
O secretário de Segurança Pública Victor Santos afirmou que levar o confronto para a área de mata da favela foi uma estratégia para preservar vidas inocentes.
— Optamos por deslocar o contato com os criminosos para a área de mata, onde eles efetivamente se escondem e atacam os policiais. A opção foi feita para preservar a vida dos moradores. Tivemos um dano colateral pequeno, quatro pessoas feridas inocentes feridas, sem gravidade.
Megaoperação do Rio:
Total de mortos supera Carandiru
Três décadas depois do massacre do Carandiru, que deixou 111 presos mortos em São Paulo e se tornou símbolo da violência policial no país, o Brasil volta a registrar uma tragédia sem precedentes. A megaoperação policial no Complexo da Penha e no Alemão, no Rio de Janeiro, ultrapassou o episódio de 1992 em número de vítimas e passou a ser considerada a mais violenta da história nacional — ainda que os dois casos envolvam contextos muito diferentes: um dentro do sistema prisional, outro em plena área urbana, em confronto direto com o tráfico de drogas.
Complexos alvos de operação
De acordo com dados oficiais publicados ainda na terça, 64 pessoas morreram — 60 apontadas como criminosos e 4 policiais. No entanto, o número pode ser ainda maior. Durante a madrugada desta quarta-feira, moradores da Penha levaram ao menos 64 corpos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas. Segundo a Polícia Militar, os corpos não estão incluídos no balanço divulgado na véspera. Ao todo, ao menos 128 suspeitos morreram.
Um dia para não ser esquecido:
Peritos trabalham para identificar as vítimas e apurar se essas mortes estão ligadas à operação, que mobilizou 2,5 mil agentes e foi planejada ao longo de dois meses para conter a expansão do Comando Vermelho, principal facção do tráfico no Rio.
Tempo real:
De Carandiru à Penha: a história que se repete
O massacre do Carandiru, em 1992, marcou o auge da repressão policial no sistema prisional brasileiro. Naquele dia, 341 policiais da Tropa de Choque invadiram o Pavilhão 9 da Casa de Detenção em São Paulo para conter uma rebelião.
Foram disparados 3,5 mil tiros em 20 minutos, deixando 111 presos mortos, muitos deles executados à queima-roupa. O episódio virou livro, filme e símbolo internacional da violência institucional no Brasil.
Como combater as facções?
Agora, em 2025, o país revive o mesmo espanto. A operação na Penha e Alemão, oficialmente voltada ao combate ao tráfico, teve níveis de letalidade superiores aos de qualquer confronto urbano registrado anteriormente. Moradores relatam corpos espalhados por áreas de mata, como a Serra da Misericórdia, e denunciam execuções e desaparecimentos.
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