Política
Celina Leão se lança como pré-candidata ao governo do DF e convida Michelle Bolsonaro
Governadora busca apoio da ex-primeira-dama para corrida ao Senado
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), lançou sua pré-candidatura à reeleição neste sábado, 18, durante um evento em Ceilândia, onde mencionou Michelle Bolsonaro como possível candidata ao Senado. Em entrevista ao Estadão, Celina reforçou o convite à ex-primeira-dama: "O nosso gesto é que ela realmente venha", afirmou.
Num palco montado em Ceilândia, Celina discursou ao lado da deputada federal Bia Kicis (PL-DF), da senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e do pré-candidato a vice em sua chapa, Gustavo Rocha (Republicanos-DF), que foi ministro dos Direitos Humanos no governo Michel Temer.
Empossada após a renúncia do então governador Ibaneis Rocha (MDB) para concorrer ao Senado, a governadora fez uma defesa de seus quase três meses de governo, abordando investimentos, mas não mencionou Michelle em seu discurso. Antes, Kicis já havia se referido à aliada.
"Sou do PL, partido do presidente Bolsonaro, da primeira-dama Michelle Bolsonaro, que vai ser candidata ao Senado junto comigo", declarou a deputada em seu discurso, apesar de ainda não haver confirmação da participação de Michelle.
Questionada pelo Estadão sobre a ausência da aliada, Celina afirmou, após o evento, que tem tentado convencer Michelle a concorrer, destacando que as mulheres são poucas na política. Segundo ela, a ex-primeira-dama ainda não tomou uma decisão definitiva.
"O nosso gesto é que ela realmente venha. Sempre digo a ela que, quando faz um trabalho em todo o Brasil, abrindo diretórios do PL Mulher, não pode desistir no meio do caminho", disse Celina.
A governadora também mencionou que Michelle cresceu em Ceilândia e que, se eleita senadora, poderia fazer algo pela cidade.
No entanto, Celina reconheceu que a ex-primeira-dama pode optar por não se candidatar se decidir ficar em casa cuidando do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontra em prisão domiciliar. Jair cumpre uma pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.
"Ela (Michelle) sempre diz que, entre a vida pessoal e a política, já escolheu. Não tenho dúvidas de que, se ela tiver que escolher entre a família e a política, escolheria a família. Mas acredito que, como senadora, ela poderia trabalhar aqui no Distrito Federal e ajudar também", declarou.
A ex-primeira-dama tem questionado seu projeto eleitoral nos últimos meses e até considerou deixar o PL após o rompimento público com seu enteado e pré-candidato à presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Contudo, foi convencida a permanecer no partido por Celina e Damares. No mesmo dia, ela havia renunciado à presidência nacional do PL Mulher.
Esses desdobramentos ocorreram após Michelle criticar as articulações eleitorais do PL e de Flávio, afirmando que ele a teria "maltratado, desrespeitado e humilhado".
Em maio, Michelle já havia posto em dúvida sua candidatura ao Senado ao declarar que, enquanto precisasse cuidar do marido, não conseguiria disputar as eleições neste ano.
"A prioridade é a minha casa, meu marido. Não posso pensar no amanhã se hoje preciso estar firme e forte para cuidar dele. Ele quer muito que eu me candidate, mas sinto que já dei a minha contribuição. Se eu precisar ficar em casa cuidando dele, assim o farei", afirmou Michelle.
Neste sábado, 18, Celina expressou que espera contar com o MDB em sua aliança. Os dois partidos romperam relações meses atrás, quando Ibaneis, descontente com a antiga aliada, lançou Rafael Prudente ao governo do DF, concorrendo com sua ex-vice.
Ibaneis mencionou decepções com Celina, que respondeu ressaltando sua gestão independente. O rompimento foi influenciado pela crise do Banco Master, que atualmente enfrenta investigações, além do temor de delações do ex-presidente que poderiam impactar a gestão da dupla.
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