Política

Câmara mantém mandato de vereador acusado de crimes sexuais em RO

Decisão gera controvérsia entre vereadores e sociedade

Estadao Conteudo 17/07/2026
Câmara mantém mandato de vereador acusado de crimes sexuais em RO
William Cândido (Republicanos) - Foto: Reprodução / Instagram

A Câmara Municipal de Ji-Paraná, no interior de Rondônia, votou pelo arquivamento de processo de cassação por quebra de decoro do vereador William Cândido (Republicanos). A decisão ocorreu durante sessão realizada na quinta-feira, 16. O parlamentar foi condenado em primeira instância em processo por crime sexual e é alvo de investigação por ato obsceno em via pública.

A votação resultou em 8 votos a favor do arquivamento e 7 contrários. O parecer prévio, apresentado pelo relator Joziel Carlos de Brito (MDB), recomendou o arquivamento do processo.

Em nota, a defesa de William Cândido afirmou que o vereador tem "consciência tranquila" de não ter praticado os atos que lhe são imputados, classificando as acusações como uma persecução política.

Os defensores ainda afirmam que a maioria dos vereadores optou por seguir a legislação municipal e respeitar a presunção de inocência do parlamentar até que haja uma decisão final.

Segundo o parecer do relator, o recurso de apelação apresentado pela defesa de Cândido foi recebido com efeito suspensivo, o que suspende a sentença até que o tribunal avalie o caso. Portanto, a Câmara não poderia tratar a condenação como definitiva.

O relator também argumentou que o caso já havia sido analisado e arquivado anteriormente pela Câmara com base nos mesmos fatos, o que impediria a reabertura do processo. Ademais, ele afirmou que as acusações ocorreram antes do atual mandato de Cândido.

De acordo com o vereador André Moreira (PSD), este é o terceiro pedido de cassação do parlamentar que é arquivado. Para ele, os colegas agem de forma contraditória aos princípios que pregam ao votar pelo arquivamento.

"Como um vereador acusado de importunação sexual a crianças e adolescentes poderá representar a sociedade? Como ele representará a Casa junto ao Conselho Municipal das Crianças e Adolescentes?", questionou durante a sessão.

O processo de cassação analisado pela Câmara tem origem em ocorrência envolvendo Cândido enquanto ele atuava como vigilante em uma instituição de acolhimento. Durante a sessão, André Moreira caracterizou as ações como "importunação sexual a crianças e adolescentes".

Conforme decisões da Justiça Estadual, o Ministéiro Público de Rondônia abriu, em janeiro de 2024, procedimento para apurar irregularidades na entidade após notícia de que o vigilante "manteria suposto relacionamento com adolescente acolhida". O caso baseou-se em boletim de ocorrência registrado em 29 de dezembro de 2023.

Paralelamente ao trâmite civil, Cândido – que também exercia na época o cargo de Conselheiro Tutelar – foi alvo de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que resultou na cassação de seu mandato de conselheiro em setembro de 2024. Ele foi eleito em primeiro lugar, com o maior número de votos da história do conselho em Ji-Paraná, conforme biografia publicada no site da Câmara Municipal.

Em outubro de 2025, já em exercício do mandato, Cândido foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Ji-Paraná após denúncia de uma vizinha. Ela alegou tê-lo flagrado se masturbando em via pública e recebendo mensagens de teor inconveniente enviadas pelo vereador. O parlamentar foi encontrado pela Polícia Militar em aparente estado de embriaguez.

A Câmara Municipal chegou a emitir uma nota de repúdio na ocasião, classificando a conduta atribuída ao vereador como "absolutamente incompatível com a postura ética e moral esperada de um agente público" e afirmando que acompanharia os desdobramentos do caso.

Sobre esse incidente, William Cândido classificou como uma "mentira para credibilizar a primeira". Ele afirmou: "Não existe prova das acusações, tanto que não há materialidade para sustentar o inquérito policial que está parado desde outubro".