Política

A caneta de Rony Mota e a cadeia de decisões dos R$ 117 milhões do Iprev da prefeitura de Maceió

Ex-presidente do instituto está no centro da operação, mas Senado também quer saber o papel da consultoria, do comitê de investimentos e da Secretaria de Fazenda de Maceió

Redação 08/07/2026
A caneta de Rony Mota e a cadeia de decisões dos R$ 117 milhões do Iprev da prefeitura de Maceió
Ex-presidente do Iprev Rony Mota tem explicações a dar aos pensionistas e aposentados do IPREV Maceió

O caso dos R$ 117 milhões do Iprev de Maceió aplicados no Banco Master não se resume apenas à assinatura de um ex-presidente de instituto. O nome de Rony Mota, ou Ronnie Reyner Teixeira Mota, aparece no centro da operação porque ele comandava o Iprev no período dos aportes. Mas a pergunta que ganha força é outra: quem mais participou da cadeia de decisões?

Segundo o Correio Braziliense, a ação popular ajuizada pelo senador Renan Calheiros busca anular investimentos de cerca de R$ 117 milhões feitos pelo Iprev em Letras Financeiras do Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025. A ação também pede a recomposição integral do patrimônio previdenciário dos servidores municipais e a indisponibilidade de bens dos envolvidos.

A apuração, portanto, mira o caminho completo do dinheiro: quem apresentou o investimento, quem avaliou os riscos, quem recomendou a aplicação, quem participou das reuniões, quem autorizou os aportes e quem tinha poder para impedir que recursos da previdência municipal fossem direcionados ao Banco Master.

Reportagem do Jornal de Alagoas aponta que, diante da dificuldade de instalação de uma CPI do Banco Master, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado passou a atuar como caminho alternativo de apuração. Entre os nomes que devem prestar esclarecimentos estão o secretário municipal da Fazenda de Maceió, Felipe Borges, o ex-presidente do Iprev, Rony Mota, e o CEO da consultoria Crédito e Mercado, Renan Calamia.

A presença da consultoria no caso é um dos pontos mais delicados. O Vero Notícias informou que a Justiça alagoana deverá obrigar o Iprev a entregar documentos sobre a contratação da Crédito & Mercado, empresa que teria participado das discussões que antecederam as aplicações milionárias no Banco Master. No mandado de segurança citado pela reportagem, há a afirmação de que a consultoria prestava suporte técnico ao Conselho de Administração e ao Comitê de Investimentos do instituto.

Esse detalhe é fundamental. Se havia uma consultoria técnica, comitê de investimentos, conselho e acompanhamento institucional da administração municipal, a responsabilidade pelo investimento não pode ser analisada apenas como um ato isolado de Rony Mota.

Ele tem explicações a dar. Isso é evidente. Mas o caso exige mais do que encontrar um personagem para carregar todo o peso político do escândalo. A sociedade precisa saber se houve recomendação técnica, se os riscos foram apresentados, se a decisão foi formalmente aprovada e se os documentos existem.

No fundo, a caneta de Rony pode ter assinado a operação. Mas a investigação precisa mostrar quem segurou a mão, quem escreveu o roteiro e quem se beneficiaria do silêncio.

O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.