Política
PF encontra R$ 450 mil escondidos embaixo de sofá durante operação no Rio
Dinheiro foi localizado em empresa ligada ao principal investigado; ação apura lavagem de recursos públicos desviados da saúde
A Polícia Federal encontrou R$ 450 mil em espécie escondidos embaixo de um sofá durante uma operação deflagrada na manhã desta terça-feira (30), no Rio de Janeiro, para combater a lavagem de dinheiro público desviado da área da saúde.
Segundo a PF, o dinheiro estava em uma das salas de uma empresa vinculada ao principal investigado, localizada em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Ao todo, os policiais federais cumprem 14 mandados de busca e apreensão. Dez deles foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal, e outros quatro pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), em razão de alguns investigados terem foro privilegiado.
A ação integra a 2ª fase da Operação Anáfora e tem como objetivo aprofundar as investigações sobre a lavagem de dinheiro proveniente de desvios de recursos públicos.
Os mandados são cumpridos em endereços ligados aos investigados nas cidades do Rio de Janeiro, Niterói e Duque de Caxias.
De acordo com a Polícia Federal, a apuração dos atos de lavagem foi aprofundada após a deflagração da primeira fase da operação, em 2022. As investigações apontam que os investigados mantêm bens próprios em nome de terceiros, realizam despesas incompatíveis com a condição financeira declarada e participam de negociações envolvendo imóveis.
Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.
Operação Anáfora
A primeira fase da Operação Anáfora foi deflagrada em setembro de 2022 e apurou suposto favorecimento na contratação de uma cooperativa de trabalho pela Secretaria de Saúde de Duque de Caxias, em contratos que somam R$ 563,5 milhões.
Na ocasião, a PF teve como um dos alvos o então candidato a vice-governador do Rio de Janeiro Washington Reis (MDB-RJ), companheiro de chapa de Cláudio Castro (PL-RJ).
Durante a ação de 2022, um fuzil foi apreendido na casa de Reis. Além disso, R$ 700 mil em dinheiro e cheques foram encontrados na residência do ex-secretário de Saúde de Duque de Caxias, José Carlos de Oliveira.
Segundo a Polícia Federal, a investigação indicou que a cooperativa de trabalho pertence a uma “estruturada e complexa organização criminosa” que atuaria no Estado do Rio de Janeiro em um contexto de corrupção sistêmica, com desvio de recursos públicos, especialmente na área da saúde, há décadas.
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