Política

CSP aprova projeto que cria o crime de falsa identidade digital

Proposta prevê pena de até oito anos de reclusão em casos mais graves, como crimes contra crianças, idosos ou pessoas com deficiência

Agência Senado 30/06/2026
CSP aprova projeto que cria o crime de falsa identidade digital
O senador Hamilton Mourão leu o relatório do senador Plínio Valério - Foto: Agência Senado

A Comissão de Segurança Pública (CSP) aprovou nesta terça-feira (30) o projeto de lei que cria o crime de falsa identidade digital. A proposta busca punir quem cria, usa ou mantém perfis falsos na internet com o objetivo de enganar outras pessoas, obter vantagem ilícita ou causar prejuízos.

A matéria segue agora para análise terminativa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

De autoria da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), o PL 675/2025 recebeu parecer favorável do relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM). O relatório foi lido durante a reunião pelo senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

O projeto inclui no Código Penal o crime de falsa identidade digital para punir o uso de perfis falsos com a finalidade de manipular pessoas, prejudicar a honra, a imagem, a integridade ou o patrimônio de terceiros, ou ainda obter vantagens ilegais.

A prática, conhecida como catfishing, consiste em assumir uma identidade falsa na internet para enganar outras pessoas.

A pena prevista é de reclusão de um a cinco anos, além de multa. A punição poderá ser aumentada de um terço até o dobro quando o crime for cometido com uso não autorizado de imagens, vídeos ou dados pessoais de terceiros, ou para induzir alguém a erro sobre a identidade do autor com o objetivo de manter relação afetiva ou obter vantagem patrimonial.

Nos casos em que o crime for cometido contra criança, adolescente, pessoa idosa ou pessoa com deficiência, para obtenção de benefício econômico indevido ou extorsão, ou mediante divulgação de conteúdo íntimo da vítima, a pena será de reclusão de quatro a oito anos, além de multa.

Segundo Damares Alves, a legislação atual não tipifica de forma clara essas condutas, o que dificulta a responsabilização dos autores e deixa as vítimas expostas a prejuízos sociais e emocionais.

No parecer, Plínio Valério afirma que o catfishing pode ter diferentes motivações, desde a busca por atenção ou a prática de bullying até crimes como golpes financeiros, extorsão, chantagem com imagens íntimas ou informações pessoais, além de roubo de identidade.

— Essa prática, além dos prejuízos financeiros e à imagem da vítima, também acarreta impactos em sua saúde mental, incluindo raiva, medo e dificuldade em confiar nos outros — afirmou Hamilton Mourão ao ler o parecer.