Política

Com 0,8% na pesquisa, Eudócia JHC, mulher de João Caldas, ataca hospital para atingir gestão de Luciano Barbosa e Dantas

Senadora se calou sobre a saúde de Maceió, reprovada por 48,2%; senadora nunca enviou emendas para o hospital de Arapiraca

28/06/2026
Com 0,8% na pesquisa, Eudócia JHC, mulher de João Caldas, ataca hospital para atingir gestão de Luciano Barbosa e Dantas
No vídeo, gravado durante uma caminhada, uma moradora supostamente aborda o grupo aos prantos e relata ter sofrido um aborto por negligência no Hospital Regional de Arapiraca - Foto: Reprodução Redes Sociais

Em uma clara tentativa de capitalizar politicamente um drama humano, a senadora Eudócia Caldas (PSDB), ao lado do ex-prefeito de Maceió JHC (PSDB), publicou um vídeo nas redes sociais em que se vale do relato de uma moradora de Arapiraca para atacar o prefeito Luciano Barbosa e o governador Paulo Dantas — dias depois de os dois trocarem elogios.

No vídeo, gravado durante uma caminhada, uma moradora supostamente aborda o grupo aos prantos e relata ter sofrido um aborto por negligência no Hospital Regional de Arapiraca, afirmando ter tido o atendimento negado mesmo com a bolsa estourada. A unidade é administrada pela Sociedade Beneficente Nossa Senhora do Bom Conselho e recebe recursos da Prefeitura de Arapiraca e do Governo de Alagoas.

Diante da mulher em sofrimento, a senadora, que nunca enviou emenda parlamentar para o hospital de Arapiraca, não buscou apurar o que de fato havia ocorrido nem a quem caberia a responsabilidade: tratou de converter a tragédia pessoal em palanque eleitoral no ato. "Foi um absurdo, devia mesmo falar com o governador. Do que adianta um hospital tão bonito por fora e por dentro não funciona? A questão é gestão, são os desvios que estão acontecendo em nosso estado", disparou, já elegendo o chefe do Executivo estadual como alvo principal: "O primeiro deles [a responder] é o Paulo Dantas".

Desconhecimento técnico e alvo errado


A escolha de concentrar a artilharia em Paulo Dantas e Luciano Barbosa, contudo, esbarrou em um erro grosseiro de informação. Ao endossar o ataque ao governador, a senadora revelou desconhecer — ou ignorar deliberadamente — tanto o funcionamento da saúde pública na região quanto a própria natureza da unidade onde o fato teria ocorrido.

O Hospital Regional de Arapiraca não é uma unidade da rede pública gerida pelo Governo do Estado (ao contrário, por exemplo, do Hospital de Emergência do Agreste, o HEA, e do Hospital Regional de Palmeira dos Índios, esses sim estaduais). O Regional é uma instituição filantrópica privada, cujo contrato de prestação de serviços ao SUS e cujo fluxo de atendimento são pactuados e integrados diretamente à rede de saúde coordenada pelo município de Arapiraca, sob a gestão do prefeito Luciano Barbosa.

São informações públicas e de fácil verificação — o que torna o erro ainda mais revelador. Ao confundir a natureza jurídica e administrativa do hospital no afã de desgastar o Estado, o tiro saiu pela culatra: na pressa por likes e por um ataque político de efeito imediato, a senadora terminou carimbando uma dura denúncia de falha na fiscalização e no atendimento humanizado justamente na conta da rede de assistência local, mantida por Luciano Barbosa e Paulo Dantas.

O silêncio que denuncia a seletividade


Mais revelador que o erro técnico, porém, é a escolha do alvo. Enquanto mira a saúde sob gestão de adversários no Agreste, a senadora nada disse sobre a saúde de Maceió, onde os números são ruins e o histórico de gestão remete a seu próprio aliado de vídeo, JHC. Segundo o Instituto DataSensus, a saúde é apontada como o principal problema da capital por 29,4% da população, à frente de infraestrutura, ruas e buracos (13,6%) e de violência e drogas (11,1%). O mesmo levantamento mostra que 48,2% dos entrevistados desaprovam os serviços prestados pelos postos de saúde do município, contra 40,4% que aprovam o atendimento nas unidades básicas.

Na Zona de Rebaixamento


O ataque vem de quem ocupa a lanterna da disputa. Na pesquisa Vox Brasil, a senadora Eudócia Caldas aparece com apenas 0,8% das intenções de voto. O levantamento ouviu 1.200 eleitores, presencialmente, em domicílios de Alagoas, entre os dias 8 e 11 de junho de 2026, com margem de erro de 2,83 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número AL-05861/2026.