Política
Dia do Esporte: especialistas defendem atividade física como política pública
Em audiência no Senado, debatedores destacaram o papel do esporte na promoção da saúde, da educação e da inclusão social
Especialistas defenderam, nesta terça-feira (23), o esporte como instrumento estratégico do poder público para promover saúde, educação, cidadania e inclusão social no país. O debate ocorreu em audiência pública da Comissão de Esporte do Senado (CEsp), realizada em cerimônia ao Dia Nacional do Esporte e à Semana Nacional do Esporte , instituídas pela Lei 15.386, de 2026.
Presidente da comissão e ex-atleta olímpica de vôlei, a senadora Leila Barros (PDT-DF) afirmou que a prática de atividades físicas contribui para a formação cidadã e para o bem-estar da população.
— O esporte ensina disciplina, respeito, cooperação, responsabilidade, trabalho em equipe e, é claro, superação. E o mais importante: ensine a lidar com frustrações. Estimular a atividade física desde a infância até a terceira idade significa contribuir para a sustentabilidade do sistema de saúde — declarou.
A reunião atendeu ao requerimento de autoria do senadora, o REQ 8/2026 - CEsp.
Saúde
O ministro do Esporte, Paulo Henrique Perna Cordeiro, destacou que os ministérios do Esporte, da Educação e da Saúde mantêm parcerias para a instalação de academias de ginástica em diferentes regiões do país, com foco na saúde preventiva.
— Se nós pegássemos um pouco do orçamento para a saúde pública e alocássemos no esporte, tenho certeza de que o SUS [Sistema Único de Saúde] diminuiria em seu tamanho — afirmou.
Segundo o chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade do Ministério do Esporte, Paulo Afonso de Araújo Quermes, a cada R$ 1 investido em esporte, há retorno de R$ 6 em saúde.
Quermes também informou que 45% das escolas brasileiras possuem algum equipamento que permite a prática de atividade física.
Escolas
A médica cardiologista Stéphanie Itala Rizk alertou para a tendência de redução da prática de exercícios físicos entre os jovens. Ela citou um levantamento, com dados de 2019 do IBGE, no qual 22,7% das meninas e 19,7% dos meninos afirmaram não ter aulas de educação física na escola.
— [A atividade física] diminui a mortalidade e o estresse, aumenta a longevidade, melhora a saúde mental… Nenhum medicamento já criado tem benefícios iguais a esse. A criança falta menos na escola, tem sensação de pertencimento. Noventa minutos de atividade moderada trazem [esses efeitos] — disse.
Para o presidente da Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE), Robson Aguiar, as mudanças ocorridas nas cidades nos últimos anos ajudam a explicar a redução das atividades físicas entre crianças e adolescentes.
— Além de outros fatores que levam à falta da prática esportiva, o crescimento populacional e a infraestrutura das cidades não permite mais que a garotada brinque na rua. A escola seria o ponto ideal, mas nada disso vai acontecer se o Ministério da Educação não estiver alinhado com o Ministério do Esporte — afirmou.
Aguiar defende que escolas com infraestrutura adequada e campeonatos escolares, como os promovidos pela CBDE, são caminhos para incentivos à prática esportiva associada à inclusão social.
Ele ressaltou que a confederação exige que os alunos estejam matriculados para participar dos campeonatos e que haja participação igualitária entre meninos e meninas. Segundo ele, essas critérios trouxeram resultados positivos.
Exemplo internacional
O educador físico Márcio Atalla apresentou exemplos de políticas públicas internacionais bem-sucedidas. Ele visitou países como Finlândia e Coreia do Sul durante a produção do documentário “Vida em Movimento”, de 2019.
Atalla comentou que a Coreia do Sul e o Brasil tinham realidades semelhantes há 50 anos, mas que, atualmente, o país asiático regista melhores indicadores de obesidade e expectativa de vida.
— Na década de 1970, tanto o Produto Interno Bruto quanto muitos outros indicadores da Coreia do Sul eram muito parecidos com os do Brasil. O programa de saúde pública [do país asiático] teve como pilar central a atividade física. Acho importante pensarmos em autonomia no final da vida, porque isso custa muito — avaliou.
A comissão também ouviu relatos de representantes de associações que promovem o esporte para pessoas em situação de vulnerabilidade. Participaram o representante da Rede Esporte pela Mudança Social, Felipe Pitaro, e o fundador do Instituto Athlon, voltado para pessoas com deficiência, Kelvin Bakos.
Também participou da reunião o representante do Comitê Olímpico do Brasil, Sebástian Pereira; como vice-presidentes do Conselho Regional de Educação Física do Rio de Janeiro, Eloisa Vilela de Souza, e do Distrito Federal, Marcia Ferreira Cardoso Carneiro; a representante da Secretaria Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social do Ministério do Esporte, Mariana Ferreira Cassiano de Abreu; o presidente do Comitê Brasileiro de Clubes, Paulo Maciel; e o presidente da Confederação Nacional de Clubes, Arialdo Boscolo.
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