Política
Comissão aprova cadastro no SUS para mulheres vulneráveis com risco de câncer
Projeto prevê identificação e acompanhamento prioritário de mulheres com maior risco de câncer de mama e de colo do útero
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2756/25, que cria um cadastro no Sistema Único de Saúde (SUS) para identificar e acompanhar mulheres em situação de risco ou vulnerabilidade social com maior probabilidade de desenvolver câncer, especialmente de mama e de colo do útero.
O cadastro deverá incluir mulheres que atendam a pelo menos um dos seguintes critérios:
— morar em áreas de alta vulnerabilidade social, conforme indicadores do IBGE ou do CadÚnico;
— integrar populações tradicionais, comunidades quilombolas, indígenas ou ribeirinhas;
— estar em situação de rua ou em abrigamento institucional;
— ter histórico familiar de câncer ginecológico ou apresentar fatores clínicos de risco;
— estar presa.
O Ministério da Saúde poderá definir outras condições em regulamento.
A proposta é de autoria da deputada Rogéria Santos (Republicanos-BA). A relatora, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), recomendou a aprovação da matéria.
Barreiras
Laura Carneiro argumenta que, para pessoas em situação de vulnerabilidade, os impactos do câncer vão além da doença física e envolvem também a falta de recursos econômicos e de redes de apoio.
“O cadastro nacional tem como objetivos promover o rastreamento, o acompanhamento médico e o cuidado prioritário de mulheres que enfrentam múltiplas barreiras de acesso à prevenção e ao tratamento do câncer”, explicou a relatora.
“São essas múltiplas barreiras que precisam ser superadas se quisermos oferecer para essa população condições mais dignas de tratamento do câncer no nosso país”, acrescentou Laura Carneiro.
Finalidades
O programa terá como finalidade assegurar o rastreamento periódico e prioritário das mulheres cadastradas; garantir acesso facilitado a exames de triagem, diagnóstico, biópsias, acompanhamento e tratamento oncológico no SUS; integrar dados aos sistemas de informação em saúde para monitorar políticas públicas; e apoiar programas de navegação do paciente e acompanhamento ativo em toda a linha de cuidado oncológico.
Visitas periódicas
A comissão acolheu uma modificação aprovada na Comissão de Saúde para prever o acompanhamento por meio de visitas periódicas de equipes de assistência social.
O objetivo é garantir suporte adequado e os devidos encaminhamentos às mulheres em situação de vulnerabilidade oncológica.
Veja a íntegra do texto aprovado
Próximos passos
O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para virar lei, a proposta precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.
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