Política

STM julga recurso de Bolsonaro para afastar ministro de processo sobre perda de patente

Corte também analisará ações envolvendo outros oficiais, incluindo o almirante Almir Garnier, condenado por participação na tentativa de golpe de Estado

Estadao Conteudo 23/06/2026
STM julga recurso de Bolsonaro para afastar ministro de processo sobre perda de patente
Jair Bolsonaro - Foto: © AP Photo / Eraldo Peres

O Superior Tribunal Militar (STM) deve analisar nesta quarta-feira (24) um recurso apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em um dos processos que discutem a possível perda de sua patente militar. Bolsonaro é capitão da reserva do Exército.

Os ministros vão examinar o recurso protocolado após a presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, rejeitar pedido da defesa para declarar a suspeição do ministro tenente-brigadeiro do ar Francisco Joseli Parente Camelo. Caberá ao plenário decidir se mantém ou reforma a decisão.

No mesmo dia, a Corte militar também julgará outras quatro ações sobre declaração de indignidade e incompatibilidade para o oficialato. Entre elas está um recurso do almirante Almir Garnier, condenado por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, assim como Bolsonaro, apontado como líder da trama golpista.

A defesa de Garnier questiona decisão da ministra Verônica Abdalla Sterman, relatora do processo, que considerou prejudicado um pedido de produção de provas e diligências documentais em ação que também trata da permanência no oficialato. A ministra submeteu ao colegiado a análise sobre a viabilidade e os limites da produção probatória solicitada pela defesa.

Nos processos de indignidade e incompatibilidade para o oficialato, as condenações criminais já definitivas não são reavaliadas. O tribunal analisa apenas se as condutas praticadas são compatíveis com a permanência do militar nos quadros das Forças Armadas.

Também na quarta-feira, o STM julgará recursos de dois oficiais que já tiveram a perda de posto e patente determinada. Um deles é um major da reserva do Exército condenado a 16 anos de prisão por participação em esquema de fraude em licitações e desvio de recursos, com prejuízo superior a R$ 25 milhões aos cofres públicos. A defesa tenta reverter a decisão.

No outro caso, um capitão médico recorre após responder a Conselho de Justificação por faltas ao serviço, atrasos, descumprimento de deveres funcionais, inadimplência contratual e exercício irregular de atividade privada.

Por fim, a Corte avaliará se a conduta atribuída a um capitão reformado da Aeronáutica é compatível com a honra e o decoro exigidos pela carreira. Ele foi acusado de homicídio e tentativa de homicídio em Fortaleza, em 2020.