Política
Zema critica PEC da escala 6x1 e defende CLT opcional
Pré-candidato do Novo à Presidência afirmou que proposta vende a ideia de uma “canetada” para elevar renda e voltou a defender trabalho por hora
O pré-candidato do Partido Novo à Presidência da República e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, criticou, nesta segunda-feira, 22, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende acabar com a escala de trabalho 6x1. A declaração foi feita durante o evento “A indústria na agenda dos presidenciáveis”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.
"Produtividade é a chave para elevar a renda de qualquer economia no mundo. E o pessoal aqui de Brasília vende a ideia de uma canetada que vai fazer o Brasil ficar rico, vai fazer o trabalhador ganhar mais. Infelizmente, o brasileiro, às vezes, ainda acredita nesse tipo de coisa, como está aí a questão da escala 6x1", afirmou Zema. Ele também acusou o governo federal de "criminalizar o setor produtivo".
Durante a exposição, o pré-candidato voltou a defender uma CLT opcional, com regime de trabalho por hora. "Nós precisamos voltar, no mínimo, para aquela reforma trabalhista que foi aprovada em 2017. Se possível, avançar mais. Mas, como a esquerda morre de amor pela CLT, nós vamos deixá-la e vamos ter uma opção na CLT", disse.
Zema comparou o contrato de trabalho a um casamento. "O brasileiro, na hora que vai casar, tem opção por regime total de bens, regime de separação. E, na hora que vai trabalhar, ele tem opção? Não tem. Só tem a CLT. Eu quero criar uma opção: regime de trabalho por hora", declarou.
Também estavam previstos no encontro os pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD). Cada participante teria direito a 20 minutos de exposição. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também foi convidado, mas não compareceu, por cumprir agenda no Rio de Janeiro.
No evento, Zema afirmou ainda que a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) foi "praticamente uma secretaria" durante sua gestão e disse que não tomou decisões sem ouvir o setor produtivo.
"Agora, nós temos um governo federal que criminaliza o setor produtivo, em vez de enxergar que é ele que sustenta este País. Não vai dar certo", avaliou.
O pré-candidato do Novo também defendeu a redução da taxa de juros, a revisão de programas sociais do governo, além de uma reforma administrativa e uma nova reforma da Previdência.
"Quem acreditou no País, quem fez investimentos, contraiu dívidas, é quem está na pior situação hoje. Acreditar no Brasil pode arruinar o seu negócio por causa dos juros. Nós temos o custo Brasil, mas, para mim, o pior de tudo são os juros, e eles só vão cair quando acabar essa gastança", afirmou.
Ao tratar da Previdência, Zema disse que uma nova reforma é necessária diante do aumento da expectativa de vida dos brasileiros. "Os números não fecham", resumiu.
Sobre os programas sociais, o pré-candidato afirmou ao público formado por empresários que muitos enfrentam dificuldades para contratar jovens. "Para mim, quem teve duas, três ofertas de emprego formal e negou não está apto a receber auxílio de governo. Nós estamos criando aqui no Brasil uma geração de imprestáveis", disse. Nesse momento, foi aplaudido pelos presentes.
Ex-governador pede “choque contra bandidagem” e “gastança” de Lula
Romeu Zema defendeu que o Brasil precisa de um "choque contra a bandidagem" e contra a "gastança do Lula e do PT". Ele também falou em um "choque de moral, de credibilidade e de ética".
"Nunca, no meu governo, nos sete anos e meio, tivemos esquemas, corrupção, escândalos. O meu governo não foi um governo bom em gerar notícias como Brasília gera com tanta frequência", afirmou.
Zema voltou a dizer que nunca se encontrou com "banqueiro bandido" enquanto governou Minas Gerais.
"Minha principal meta e função é combater a corrupção. E acabou lá em Minas. Nunca recebi uma proposta indecorosa. Moro na mesma cidade do banqueiro bandido. Ele nasceu lá, foi criado, estudou, casou, teve filhos, é a residência dele. Nunca encontrei com ele. Ele nunca sequer me pediu uma audiência. Eu falo que assombração sabe para quem vai aparecer, e para mim não apareceu", declarou.
Ao defender uma ampla privatização das estatais no Brasil, o ex-governador de Minas afirmou que o Banco Master "só teve envolvimento com banco estatal e com fundos de pensão estatais".
"Temos estatais estratégicas só para os políticos, e não para os brasileiros", disse.
"Não existe vaca sagrada quando se diz respeito a estatais", completou Zema, ao reafirmar a intenção de transferir à iniciativa privada empresas com participação do Estado. "No Brasil, eu vou privatizar tudo também. Não vamos perder as oportunidades e aplicar esse recurso para abater a dívida", concluiu.
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