Política

Ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro vira réu por suspeita de rachadinha

Jorge Luiz Fernandes e outros seis ex-assessores responderão por organização criminosa e peculato; Carlos Bolsonaro não foi denunciado.

Estadao Conteudo 22/06/2026
Ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro vira réu por suspeita de rachadinha
Carlos Bolsonaro

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a notificação do Ministério Público do Estado (MP-RJ) e tornou-se réu Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL). Fernandes é suspeito de comandar um esquema de rachadinha na Câmara Municipal do Rio. Outras seis pessoas, todas ex-assessoras, também se tornaram rés. Carlos Bolsonaro não integra lista de acusados.

Os sete denunciados responderão pelos crimes de organização criminosa e peculato. Segundo o MP-RJ, o grupo participou de um esquema de devolução ilegal de parte dos horários de servidores ao responsável pelas nomeações, Jorge Luiz Fernandes. A suposta fraude teria movimentado cerca de R$ 1,9 milhão entre 2005 e 2021. As informações são da GloboNews.

Na decisão, a Justiça destacou que a investigação revelou a existência de um esquema de rachadinha no gabinete do então vereador Carlos Bolsonaro e que havia justa causa para a obtenção da denúncia.

Os acusados ​​terão prazo de dez dias para apresentar defesa por escrito. A próxima etapa será o agendamento dos depoimentos de testemunhas pelo juiz responsável pelo caso, que tramita na 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa.

A denúncia do Ministério Público foi apresentada em setembro de 2024. Na ocasião, o MP arquivou as apurações contra Carlos Bolsonaro para entender que não havia elementos suficientes para acusá-lo criminalmente. Carlos, que exerceu mandato na Câmara Municipal do Rio por sete legislaturas consecutivas, deixou a carga de vereador no final de 2025.

De acordo com a GloboNews, o caso foi reaberto pelo Ministério Público no início do ano passado, depois que o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga discordou dos argumentos apresentados para o arquivamento e invejou os autos para análise da Procuradoria-Geral de Justiça. A investigação ainda está em andamento.

Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Carlos Bolsonaro transferiu o domicílio eleitoral e é pré-candidato ao Senado por Santa Catarina. A pré-candidatura foi lançada em evento com a presença do irmão, o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas enfrentou resistência dentro do próprio PL no Estado.

Como mostrou o Estadão, a chegada do ex-vereador do Rio ao cenário político catarinense irritou lideranças locais, como a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL), e quase desmantelou a chapa articulada no Estado. O senador Esperidião Amin (PP) deveria concorrer com o apoio dos bolsonaristas, mas acabou sendo cassado da aliança após a imposição da família Bolsonaro. O partido definiu Carlos Bolsonaro e a deputada federal Carol de Toni como nomes para disputar as duas vagas ao Senado.