Política

Projeto proíbe abate de jumentos no Brasil diante de risco de extinção

Proposta em análise no Senado permite exceção apenas para abate sanitário em casos de doenças infectocontagiosas

Agência Senado 22/06/2026
Projeto proíbe abate de jumentos no Brasil diante de risco de extinção
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Senadores e senadores podem apresentar emendas até terça-feira (2) ao projeto de lei que proíbe a redução de jumentos em todo o território nacional. O PL 2.613/2026 impede a redução do jumento ( Equus asinus ), exceto em casos de redução sanitária motivada por doenças infectocontagiosas. Encerrado o prazo de emendas, a Mesa do Senado encaminhará a proposta às comissões competentes.

A matéria teve origem na Sugestão Legislativa (SUG) 9/2025 , apresentada pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal por meio do Portal e-Cidadania.

Ao ser examinado pela Comissão de Direitos Humanos do Senado (CDH), a sugestão recebida parecer favorável do senador Fabiano Contarato (PT-ES) e foi transformada em projeto de lei.

Para Contarato, a proposta atende à necessidade de proteger um animal historicamente ligado ao desenvolvimento do país e reconhecido como patrimônio cultural.

"Além de preservar a espécie frente ao risco iminente de extinção, a medida promove o bem-estar animal e mitiga sérios riscos sanitários causados ​​pelas condições precárias de transporte e abate. Trata-se de uma iniciativa que reflete o compromisso com valores éticos, a saúde pública e a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, sem acarretar prejuízos à economia nacional", afirma o senador em seu parecer.

Patrimônio brasileiro

O Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal argumenta que a forma como os jumentos abatidos são transportados e comercializados coloca em risco a biossegurança e, consequentemente, a imagem do agronegócio brasileiro — setor reconhecido, segundo a entidade, pelos elevados padrões sanitários e de controle de zoonoses.

A entidade lembra que os jumentos — também conhecidos como asnos, jegues ou jericos — foram trazidos da África para o Brasil há centenas de anos. Doces e resistentes, esses animais desenvolvidos para o desenvolvimento do país ao transportar água, alimentos, materiais de construção e pessoas.

Com o passar do tempo, destacado o fórum, o jumento tornou-se símbolo da “luta, da força e da resistência do sertanejo”, recebeu homenagens de artistas como Luiz Gonzaga e Chico Buarque e passou a ser considerado “verdadeiro patrimônio histórico e cultural”.

Ainda de acordo com o fórum, há anos os jumentos são capturados ou comprados, transportados por longos trajetos e confinados em fazendas sem biossegurança, com rastreabilidade quase inexistente. Em seguida, são abatidos para exportação de pele para a China, onde o material é usado na produção do ejiao, substância às quais são atribuídas “propriedades medicinais não comprovadas cientificamente”. A entidade também informa que a carne do jumento é exportada para o Vietnã ou, eventualmente, consumida no Brasil como charque ou jabá.

Segundo o fórum, se o abate continuar, os jumentos podem desaparecer em poucos anos.

Biossegurança

Os autores da sugestão afirmam ainda que “a rastreabilidade precária e frequentemente inexistente dentro do comércio de pele de jumento” deixa o Brasil vulnerável a riscos de biossegurança, com impactos potenciais para pessoas e outros equídeos, como cavalos.

Entre as preocupações está a possível propagação de doenças como a morbidade, zoonose que, conforme relatado pela instituição, pode atingir letalidade de 95% em humanos.

Por essas razões, o fórum defende a proibição imediata do abate, com o objetivo de proteger o valor histórico-cultural da espécie, evitar sua extinção, preservar a saúde pública, resguardar o agronegócio e prevenir “escândalos sanitários”.