Política

Autor de pedido de CPI do Master cobra investigação ‘doa a quem doer’

Rodrigo Rollemberg defende instalação do colegiado após operação da PF que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner

Estadao Conteudo 21/06/2026
Autor de pedido de CPI do Master cobra investigação ‘doa a quem doer’
Rodrigo Rollemberg - Foto: Thiago Cristino/Câmara dos Deputados

O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), autor de um dos requerimentos que pedem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, defendeu que o colegiado seja instalado no Congresso. A declaração ocorreu após a operação de busca e apreensão da Polícia Federal que teve como alvo o líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

“Nós estamos insistindo na instalação da CPI do Banco Master. Fomos os primeiros a apresentar um requerimento. Nós entendemos que essa investigação tem que ser feita, doa a quem doer, porque nós não podemos mais conviver com a corrupção. Infelizmente, o que a gente percebe é que muitos parlamentares não querem a CPI, a gente entende que muitos parlamentares têm o rabo preso”, declarou Rollemberg no sábado, 20, durante o lançamento da candidatura do ex-presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, ao Governo do Distrito Federal (GDF).

O pedido de CPI do Master foi protocolado por Rollemberg, que integra a base do governo Lula, no início de fevereiro, após reunir mais de 200 assinaturas de deputados federais.

Um dia depois, o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), da oposição, apresentou requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), formato que permite a participação de parlamentares da Câmara e do Senado.

As comissões, no entanto, ainda não foram abertas pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A falta de avanço é atribuída ao desinteresse de parte dos parlamentares em instaurar uma investigação sobre o tema, que pode atingir integrantes do Centrão, da direita e também da base governista, em um cenário pré-eleitoral.

Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão na manhã de quinta-feira, 18. A Polícia Federal suspeita que o senador tenha recebido um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que somariam R$ 3,5 milhões, por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.

Segundo os investigadores, a estrutura teria sido usada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto das fraudes apuradas na Operação Compliance Zero.

A investigação também avalia se Jaques Wagner teria utilizado sua atuação parlamentar para defender pautas de interesse do Banco Master no Congresso. De acordo com os investigadores, o senador teria tratado diretamente com o ex-sócio da instituição, Augusto Ferreira Lima, de propostas que poderiam beneficiar o banco controlado por Daniel Vorcaro.

Durante as buscas, os policiais apreenderam US$ 55 mil e 33,5 mil euros em endereços ligados a Wagner. Somados e convertidos, os valores chegam a aproximadamente R$ 485 mil.

Como mostrou o Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, uma ala do governo defende que Wagner deixe a liderança governista no Senado para reduzir possíveis desgastes ao Palácio do Planalto em ano eleitoral.

Esse grupo, que acumula insatisfações com o senador baiano desde a derrota da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), já teria até um nome para substituí-lo: o senador e ex-ministro da Educação Camilo Santana (PT-CE).