Política

Alcolumbre cancela sessão conjunta e promete votar vetos em até 15 dias

Presidente do Congresso afirmou que não houve acordo entre lideranças e que nova sessão será convocada antes do recesso, com ou sem entendimento

Estadao Conteudo 18/06/2026
Alcolumbre cancela sessão conjunta e promete votar vetos em até 15 dias
Presidente do Congresso, Davi Alcolumbre - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), cancelou a sessão conjunta entre deputados e senadores prevista para esta quinta-feira, 18. A reunião analisaria 65 vetos presidenciais e cinco projetos de lei.

O anúncio foi feito pela manhã, em entrevista a jornalistas, ao lado do líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP).

Segundo Alcolumbre, não houve reuniões suficientes entre as lideranças para a construção de um acordo sobre a derrubada ou a manutenção dos vetos. Ele também afirmou que o quórum estava baixo para a realização da sessão.

“Há uma grande dificuldade para a gente realizar a sessão do Congresso Nacional quando a gente não tem efetivamente uma participação de todas as lideranças partidárias da Câmara e do Senado envolvidas no tema”, declarou.

O presidente do Senado disse que havia mantido a sessão, anunciada há 30 dias, porque os parlamentares analisariam temas considerados relevantes. Entre eles, estão dispositivos da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 e da reforma tributária.

Também constavam da pauta vetos relacionados a emendas parlamentares, incentivos fiscais, infraestrutura, energia e segurança pública. Apesar disso, Alcolumbre afirmou ter percebido que, ao longo do período, os líderes não se reuniram para fechar um entendimento.

De acordo com o senador, de um painel inicial com 90 vetos pendentes e 924 dispositivos, foram retirados 20 vetos e 350 dispositivos. Mesmo assim, não houve acordo.

Alcolumbre afirmou que a pauta deixou “100% do Congresso e do governo insatisfeitos”, apesar dos esforços de negociação. Ele também disse que, diante do quórum baixo, poderia ser acusado de favorecer o governo ou a oposição caso mantivesse a sessão desta quinta-feira.

O presidente do Congresso declarou, no entanto, que pretende convocar nova sessão dentro de 10 a 15 dias, antes do recesso legislativo, para apreciar os vetos, com ou sem acordo.

“Como não conseguimos um acordo, vou fazer um esforço pessoalmente e vou pedir a todos os líderes partidários, na próxima semana, da Câmara e do Senado, fazerem reuniões periódicas pelos próximos 10 ou 15 dias e, daqui a 10 ou 15 dias, antes do recesso parlamentar, eu vou ter uma sessão do Congresso Nacional, com acordo de cédula, ou sem acordo de cédula”, afirmou.

Alcolumbre também disse que pretende dividir a análise dos vetos em mais de uma sessão, para facilitar a votação.

“Vamos tentar construir não duas sessões, mas três, dividindo ainda mais esses dispositivos da próxima sessão do Congresso. Vamos tentar escolher 20 ou 30 vetos, não 50 como ficou. E aí vai ser meio combinado com todo mundo e com o governo. Numa próxima, vamos tentar fazer 20 ou 30, e numa próxima, 20 ou 30, para, em três sessões do Congresso, nós nos desobrigarmos do que é relevante”, declarou.

O cancelamento da sessão também ocorre no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a nona fase da Operação Compliance Zero, relacionada ao caso Banco Master. A ação tem como um dos alvos o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

A investigação apura supostas fraudes envolvendo o PT na Bahia e o banqueiro Daniel Vorcaro. O Estadão informou que pediu manifestação a Jaques Wagner, mas não recebeu resposta.