Política
SP precisa modernizar fiscalização de serviços terceirizados, diz conselheiro do TCE
Relator das contas do governo Tarcísio em 2025, Marco Aurélio Bertaiolli aponta defasagem na estrutura do Estado para acompanhar concessões e contratos com organizações sociais.
O conselheiro Marco Aurélio Bertaiolli, do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), afirma que o Estado precisa se modernizar para acompanhar uma mudança consolidada nas últimas três décadas: a crescente terceirização da prestação de serviços públicos à população e a transformação da máquina pública em fiscalizadora dessas atividades.
Segundo Bertaiolli, o problema é que o Estado não se estruturou especificamente para exercer esse papel. “Temos uma necessidade de modernização em todas as áreas do Estado para sermos capazes de fiscalizar e regularmente desenvolver a terceirização desses serviços, seja para a iniciativa privada ou para as organizações sociais” , disse ele ao Estadão.
O conselheiro é o relator de contas do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) referente ao ano de 2025. O julgamento teve início às 10h desta quarta-feira, 17. Em seu voto, Bertaiolli foi além da análise contábil e orçamentária e apresentou um diagnóstico sobre a estrutura do Estado.
Ele aponta como marco dessa transformação a década de 1990, com a criação do Programa Estadual de Desestatização, em 1996, e do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, em 1995.
Um dos exemplos citados é da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Dados de janeiro indicam que 45,5% da malha rodoviária paulista foi concedida à iniciativa privada. Somados, os contratos chegam a R$ 148 bilhões, segundo o TCE.
De acordo com o conselheiro, a Artesp enfrentou um quadro de servidores defasado e depende de empresas privadas terceirizadas para emitir pareceres técnicos que fundamentam decisões da diretoria sobre concessões, como pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos.
Bertaiolli também avalia que a Secretaria de Saúde ainda não está totalmente adaptada para gerenciar e fiscalizar o volume bilionário de contratos com as Organizações Sociais de Saúde (OSS).
Segundo ele, o modelo, iniciado em 1998, hoje predomina no setor: dos 102 hospitais estaduais, 62 são administrados por OSS, enquanto o Estado gerencia diretamente apenas 29. No ano passado, os repasses ao terceiro setor na Saúde somaram R$ 19 bilhões, o equivalente a 52% do orçamento total da secretaria.
O conselheiro ressalta que seu diagnóstico se refere ao Estado como um todo, e não especificamente à gestão Tarcísio. O ex-prefeito de Mogi das Cruzes, deputado estadual e deputado federal, Bertaiolli foi indicado ao TCE como governador em 2023, com apoio do presidente do PSD, Gilberto Kassab, e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
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