Política
CDH aprova projeto que obriga big techs a comunicar retirada de conteúdo sem ordem judicial
Proposta altera o Marco Civil da Internet e determina que plataformas informem órgãos públicos sobre remoções feitas sem decisão da Justiça
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou, nesta quarta-feira (17), projeto que obriga provedores de internet a informar sempre que retirarem conteúdo da rede sem ordem judicial. O texto altera o Marco Civil da Internet (Lei 12.965, de 2014) para criar mecanismos de transparência nos casos em que plataformas tornarem indisponível conteúdo publicado na internet sem determinação da Justiça.
Apresentado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), o PL 3.283/2025 recebeu voto favorável do relator, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O texto foi lido durante a reunião pela presidente da CDH, senadora Damares Alves (Republicanos-DF).
Conforme o projeto, as plataformas na internet terão até 24 horas para comunicar a exclusão de conteúdo ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ao Congresso Nacional, por meio da Comissão Mista de Controle Externo da Atividade de Inteligência (CCAI).
A proposição também estabelece que a comunicação obrigatória não se aplica a casos de remoções automáticas voltadas ao combate de mensagens indesejadas em massa, programas maliciosos, tentativas de enganar usuários para obtenção de dados, fraudes, violações de direitos autorais ou outras atividades de abuso técnico da plataforma.
O PL 3.283/2025 foi apresentado após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou parcialmente inconstitucional um dispositivo do Marco Civil da Internet sobre a responsabilização de provedores por conteúdos publicados por terceiros. Na avaliação de Esperidião Amin, a decisão abriu espaço para que plataformas digitais removam conteúdo sem controle judicial direto, “o que poderia gerar risco de abusos e censura”.
Flávio Bolsonaro apresentou emenda para incluir o Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional (CCS) entre os órgãos que devem receber a comunicação. O senador argumenta que o conselho possui competências relacionadas ao tema, como a emissão de pareceres e recomendações sobre liberdade de expressão e regulação da mídia, o que justificaria sua inclusão.
De acordo com o relator, o projeto é essencial para ampliar a transparência na retirada de conteúdos, evitar censura, preservar a liberdade de expressão e reduzir o risco de excessos por parte das plataformas digitais.
Ainda segundo Flávio Bolsonaro, a decisão do STF ampliou a possibilidade de “remoções indevidas e silenciosas”. Por isso, ele considerou que a proposta oferece “um mecanismo de transparência e responsabilização institucional” quando conteúdos forem retirados da internet sem decisão judicial.
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