Política

Avança projeto que impede bloqueio de gastos de agências reguladoras

Texto aprovado na Comissão de Infraestrutura inclui órgãos no rol de despesas livres de contingenciamento previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal

Agência Senado 16/06/2026
Avança projeto que impede bloqueio de gastos de agências reguladoras
- Foto: Agência Senado

O governo federal poderá ficar proibido de bloquear gastos das 12 agências reguladoras responsáveis por fiscalizar setores estratégicos da economia. A proposta foi aprovada nesta terça-feira (16) pela Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado, junto com um pedido de urgência. O texto segue agora para análise da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 73/2025, de autoria do senador Laércio Oliveira (PP-SE), inclui as agências reguladoras no rol de despesas livres de contingenciamento previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal.

A medida abrange as agências nacionais de energia elétrica, petróleo, vigilância sanitária, telecomunicações, águas, transportes terrestres, transportes aquaviários, aviação civil, cinema, mineração, saúde suplementar e proteção de dados.

Relator da proposta, o senador Marcos Rogério (PL-RO) afirmou que a autonomia das agências será apenas formal enquanto o Poder Executivo puder limitar a movimentação financeira desses órgãos. O contingenciamento é utilizado pelos governos para alcançar a meta fiscal, indicador que mede anualmente a situação das contas públicas.

— Quando se corta o orçamento de uma agência, está se enviando ao mercado um sinal de que o ambiente regulatório brasileiro é instável, não é confiável, e esse sinal tem custo [...]. São bloqueadas atividades indispensáveis, como inspeções em campo, verificação de conformidade, manutenção de pessoal… — disse o senador.

Para este ano, o governo federal prevê a limitação de empenho e movimentação de R$ 1,6 bilhão em despesas das agências até dezembro, conforme o Decreto nº 12.990, de 29 de maio de 2025.

Atividades-fim

O relatório de Marcos Rogério retirou as condições previstas originalmente no projeto de Laércio Oliveira. A versão inicial estabelecia imunidade ao bloqueio apenas para despesas ligadas às atividades-fim e oriundas de recursos próprios das agências, como taxas de fiscalização e fundos.

— [As atividades das agências] dependem de uma estrutura de suporte administrativo, tecnológico, logístico e operacional sem a qual não podem ser adequadamente executadas. Salvaguardar apenas as atividades-fim pode comprometer o funcionamento efetivo dessas entidades — afirmou o relator.

Prudência

A aprovação ocorreu após pedido de vista de quatro horas feito pela senadora Soraya Thronicke (PSB-MS). Ela defendeu a versão original apresentada por Laércio Oliveira e classificou o texto de Marcos Rogério como "menos prudente".

— Uma coisa é garantir que a agência gaste a taxa que ela arrecadou no seu setor, outra completamente diferente é imunizar recursos gerais do Orçamento por completo sob gestão fiscal do governo federal. Não é um capricho, mas uma ferramenta vital de responsabilidade fiscal — argumentou.

Emenda rejeitada

Marcos Rogério rejeitou emenda do senador Angelo Coronel (Republicanos-BA) que também buscava livrar de bloqueios os gastos com ciência e tecnologia financiados por contribuições sociais, tributo destinado a direitos sociais. Atualmente, apenas os custeios de fundos desse setor não podem ser contingenciados.

Audiência pública

Durante o período de vista, a Comissão de Infraestrutura recebeu, em audiência pública, representantes das agências reguladoras para expor a situação dos órgãos. Em 2025, a comissão já havia realizado debate sobre o mesmo tema.