Política
Projetos reajustam bolsa de médicos residentes e preveem correção anual
Propostas em análise no Senado buscam valorizar a residência médica, atualizar valores pagos e evitar defasagem pela inflação.
O aumento da bolsa paga a médicos residentes, com previsão de atualização automática do benefício, é tema de dois projetos em tramitação no Senado. As propostas têm como objetivo valorizar a residência médica, considerada etapa fundamental na formação de especialistas no país.
De autoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE), o PL 1.800/2026 altera a legislação que rege a residência médica — Lei 6.932, de 1981 — para atualizar o valor da bolsa e estabelecer reajustes anuais. Atualmente fixado em R$ 2.384,82, o benefício passaria a ser corrigido periodicamente com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a fim de evitar a defasagem dos pagamentos ao longo do tempo.
“Com efeito, a defasagem da bolsa tem gerado consequências negativas para a formação médica no Brasil. É possível observar que há abandono de programas de residência, especialmente nas especialidades consideradas menos lucrativas no mercado privado, bem como dificuldade de retenção de médicos residentes em regiões e especialidades de maior necessidade social”, pontua o senador na justificação do projeto.
Natureza educacional
Outra proposta, apresentada pela senadora Roberta Acioly (Republicanos-RR), prevê que a bolsa dos médicos residentes passe a ser de R$ 8.105 mensais, para jornadas de até 60 horas semanais. O PL 1.809/2026 também estabelece reajuste anual com base na inflação oficial, com o objetivo de valorizar a formação especializada no âmbito do sistema público de saúde. O texto permite ainda que estados, municípios ou instituições complementem o valor, caso desejem.
A proposição também reforça a manutenção da natureza educacional da residência médica. Segundo o texto, a bolsa não configura vínculo empregatício, mas integra uma etapa de formação profissional, ainda que em regime intensivo de trabalho. A medida busca dar segurança jurídica ao modelo já adotado no país.
Para a senadora, o valor de R$ 8.105 ainda não é o ideal diante das exigências da atividade, mas representa um “avanço relevante”.
“Programas federais de incentivo à atuação médica em regiões prioritárias chegam a prever bolsas em valores significativamente superiores, podendo ultrapassar R$ 12.000,00 mensais, o que demonstra a defasagem atualmente existente entre a bolsa da residência médica e outros programas estratégicos da área da saúde. A proposta busca, portanto, reduzir essa assimetria, ainda que de forma gradual e responsável do ponto de vista fiscal”, acrescenta Roberta Acioly.
Os dois projetos foram apresentados em abril de 2026 e aguardam despacho para análise nas comissões temáticas do Senado.
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