Política

Seninha ironiza fala de JHC sobre “fantoches” e questiona trajetória política de Eudócia Caldas; veja vídeo

Empresário de comunicação reagiu a declaração do ex-prefeito de Maceió, que disse não depender de “A, B ou C” para ser candidato; comentário expôs novas contradições no campo oposicionista em Alagoas

Redação 03/06/2026
Seninha ironiza fala de JHC sobre “fantoches” e questiona trajetória política de Eudócia Caldas; veja vídeo
Wellington Sena mostra as contradições de JHC - Foto: Reprodução

O empresário de comunicação Weliton Sena, conhecido como Seninha, publicou nas redes sociais um comentário sobre os últimos movimentos da pré-campanha em Alagoas e mirou diretamente uma declaração recente do ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao Governo do Estado, João Henrique Caldas, o JHC.

No vídeo, Seninha analisou a fala em que JHC afirmou ter chegado à política “através do povo”, disse não ter “rabo preso” com ninguém e declarou que há políticos que seriam “fantoches” por dependerem de “A, B ou C” para viabilizar candidaturas.

A declaração de JHC foi interpretada nos bastidores políticos e por setores da imprensa como uma indireta ao deputado federal Arthur Lira e ao deputado federal Alfredo Gaspar, em meio ao desconforto provocado pela aproximação entre os dois parlamentares no campo oposicionista.

Seninha, no entanto, deslocou o foco da crítica e levou a fala de JHC para dentro da própria família política do ex-prefeito. Segundo ele, se o critério defendido por JHC é o de que só tem autonomia quem chega ao mandato diretamente pelo voto popular, a trajetória da senadora Eudócia Caldas, mãe de JHC, também deveria ser colocada no debate.

“Será, JHC, você sabe a trajetória da sua mãe, a Eudócia Caldas?”, questionou Seninha.

No comentário, o empresário de comunicação lembrou que Eudócia Caldas chegou ao Senado na condição de suplente de Rodrigo Cunha. Segundo sua análise, ela não teria alcançado o mandato por eleição direta ao Senado, mas por uma composição política que permitiu sua ascensão após o afastamento do titular.

Seninha também citou o fato de Rodrigo Cunha ter deixado o Senado para disputar a vice-prefeitura de Maceió, abrindo espaço para Eudócia assumir a cadeira. Na sequência, ironizou a atuação posterior de Cunha na gestão municipal, afirmando que ele teria sido colocado para fiscalizar obras e gravar vídeos em ações da Prefeitura.

A crítica central do vídeo está na contradição apontada por Seninha. Para ele, ao falar em “fantoche” e em políticos que dependem de articulações de outros grupos para ocupar espaços de poder, JHC acabou abrindo margem para questionamentos sobre aliados próximos e até sobre a própria mãe.

“E aí, o que é que você me diz de fantoche político que não chega através do povo e que não tem o seu preso? Realmente é fantoche? O que dizer da sua mãe, JHC?”, provocou.

O comentário ganhou força porque ocorre em um ambiente de tensão crescente dentro da oposição alagoana. JHC tenta se apresentar como liderança autônoma, popular e independente, mas enfrenta dificuldades para acomodar, no mesmo tabuleiro, nomes como Arthur Lira, Alfredo Gaspar, Eudócia Caldas, Rodrigo Cunha e outras lideranças que disputam espaço na chapa majoritária de 2026.

A aproximação entre Arthur Lira e Alfredo Gaspar tem sido apontada como um dos fatores de maior incômodo para JHC. Os dois parlamentares aparecem como peças centrais na disputa pelas vagas ao Senado e na reorganização da oposição ao grupo liderado por Renan Filho, Paulo Dantas e Renan Calheiros.

Nesse contexto, a fala de JHC sobre não depender de “A, B ou C” passou a ser lida como um recado interno. O ex-prefeito tenta marcar posição e mostrar que não aceita ser conduzido por outros líderes. Mas a reação de Seninha expõe justamente a fragilidade desse discurso quando confrontado com as alianças, suplências e acomodações que também fazem parte da trajetória de seu grupo político.

No vídeo, Seninha também faz menção ao papel de Eudócia Caldas em debates no Senado, especialmente sobre temas ligados ao sistema previdenciário, financeiro e a investigações envolvendo operações de crédito consignado em instituições bancárias. Em tom irônico, ele questiona se JHC também adotaria postura crítica diante da atuação da própria mãe.

“JHC, será que você vai processar a sua mãe?”, provocou o comentarista.

A fala amplia o desgaste político em torno da pré-candidatura de JHC. Ao mesmo tempo em que tenta demonstrar força e independência, o ex-prefeito se vê cercado por contradições do próprio campo oposicionista. A composição com setores diversos, a disputa por protagonismo e a presença de lideranças com interesses próprios tornam cada declaração mais sensível.

A crítica de Seninha mostra que a palavra “fantoche”, usada por JHC para atacar adversários ou aliados indiretos, pode voltar contra o próprio autor da fala. Em política, especialmente em ano pré-eleitoral, uma frase dita em tom de afirmação pode rapidamente se transformar em munição para adversários, analistas e comunicadores.

O episódio reforça a chamada guerra fria na oposição alagoana. Não há rompimento declarado, mas há sinais claros de desconforto, disputa de narrativa e tentativa de demarcação de espaço.

JHC quer dizer que depende do povo. Seninha respondeu perguntando se todos ao redor dele também chegaram ao poder pelo mesmo caminho.

A pergunta, agora, passa a circular no ambiente político: quando JHC fala em “fantoche”, mira apenas Arthur Lira e Alfredo Gaspar ou acaba atingindo também personagens centrais do seu próprio grupo?

Veja o vídeo