Política
Classificar organizações criminosas do Brasil como terroristas é equívoco, diz Pacheco
Presidente do Senado critica decisão dos EUA e alerta para risco de banalização do conceito de terrorismo
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), criticou a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O parlamentar tomou a medida “equivocada” e alertou para o risco de banalização do conceito de terrorismo.
“Eu não considero que seja uma decisão acertada, ao contrário, acho que é uma decisão equivocada dos Estados Unidos”, afirmou Pacheco, ressaltando que a classificação das facções como terroristas não contribui para o combate eficaz ao crime organizado. A declaração foi dada durante evento do Lide, em São Paulo.
Segundo Pacheco, PCC e CV são organizações criminosas sofisticadas e graves, mas têm como objetivo central o lucro, o que se distingue, na sua avaliação, de grupos terroristas.
O senador defendeu que o enfrentamento dessas facções deve ocorrer com instrumentos próprios do Estado brasileiro, respeitando os marcos constitucionais e legais, e não pelos métodos aplicados ao combate ao terrorismo.
Soberania nacional
Pacheco também rechaçou qualquer interpretação de que a classificação norte-americana pudesse ser usada como pretexto para interferência externa. “A soberania nacional precisa ser preservada”, afirmou, ao ser questionado sobre a possibilidade de intervenção.
O senador destacou ainda que caberá ao Ministério das Relações Exteriores conduzir as tratativas diplomáticas com Washington sobre o tema.
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