Política

Imprensa internacional destaca ação dos EUA contra PCC e CV e menciona pressão do clã Bolsonaro

Veículos estrangeiros apontam impactos econômicos, diplomáticos e políticos para o Brasil após decisão americana.

29/05/2026
Imprensa internacional destaca ação dos EUA contra PCC e CV e menciona pressão do clã Bolsonaro
- Foto: © telegram SputnikBrasil

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas gerou ampla repercussão na imprensa internacional. Os principais jornais e emissoras estrangeiras analisaram a medida como um movimento que vai além do combate ao crime organizado, podendo trazer consequências diplomáticas, financeiras e políticas para o Brasil.

Nos Estados Unidos, o The New York Times destacou a atuação de membros da família Bolsonaro junto ao governo Donald Trump no prol da classificação das facções brasileiras. Segundo o jornal, a medida foi precedida por “meses de lobby agressiva dos filhos do ex-presidente preso Jair Bolsonaro”.

A publicação também chamou atenção para os possíveis impactos econômicos sobre o sistema financeiro brasileiro. Conforme reportagem, “a designação pode causar grandes dores de cabeça para o setor bancário brasileiro”, ao aumentar o risco de avaliações contra instituições financeiras ligadas, diretas ou indiretas, às facções.

O The Washington Post fez uma linha semelhante e relacionou a decisão à política de resistência de Trump contra grupos criminosos latino-americanos. O jornal afirmou que integrantes do governo Lula veem a medida “como uma interferência em favor de seu rival”.

A publicação acrescentou que o presidente americano vem adotando "medidas prejudiciais para combater o tráfico de drogas no Hemisfério Ocidental", ampliando o uso da legislação antiterrorismo contra facções e cartéis da região.

Na Europa, o Financial Times enfatizou os potenciais impactos econômicos e diplomáticos. O jornal britânico afirmou que a classificação pode "tensionar as relações com o Brasil" e aumentar o monitoramento internacional sobre operações financeiras suspeitas para autoridades americanas.

Segundo a publicação, PCC e CV passaram a ser vistos como "redes criminosas transnacionais", atuando além das fronteiras brasileiras e com presença crescente em rotas internacionais de tráfico de drogas.

O El País espanhol destacou que a decisão “agita o processo eleitoral” de outubro, ressaltando a preocupação do governo Lula com a possibilidade de ampliação da influência jurídica e econômica dos Estados Unidos sobre as instituições brasileiras. O jornal destacou que a ação “poderia abrir caminho para uma intervenção militar”.

A emissora francesa France24 ressaltou o componente ideológico no debate sobre a classificação de facções criminosas como grupos terroristas. Segundo a rede, "países como México e Brasil, com líderes de centro-esquerda, têm se manifestado fortemente contra as designações", enquanto governos alinhados à direita apoiam medidas semelhantes.

A reportagem avaliou ainda que, “do ponto de vista político, a designação terrorista é uma afronta clara a Lula”, especialmente após o presidente brasileiro ter deixado uma reunião recente com Trump “muito satisfeito”.

Fora do eixo europeu e americano, a Al Jazeera relatou o anúncio de uma aproximação política entre Donald Trump e a família Bolsonaro. Segundo a emissora, o presidente americano “tem buscado designações terroristas para diversas redes criminosas latino-americanas” dentro de uma política mais ampla de persistência regional.

A reportagem relembrou episódios recentes de atrito entre Washington e Brasília, afirmando que "Trump já interveio na política brasileira em favor da família Bolsonaro", ao mencionar medidas comerciais anteriores dos Estados Unidos contra o Brasil.

A repercussão internacional ocorreu após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciar oficialmente a inclusão do PCC e do CV em listas externas ao combate ao terrorismo e ao crime organizado transnacional. A medida amplia os instrumentos jurídicos e financeiros disponíveis às autoridades americanas e pode gerar novos desdobramentos nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.