Política

Erika Hilton enquadra direita no plenário e transforma debate da escala 6x1 em cobrança pública

Deputada federal reagiu a críticas durante discussão sobre a jornada de trabalho, acusou opositores de manobra política e afirmou que a classe trabalhadora dará resposta nas urnas

Redação 28/05/2026
Erika Hilton enquadra direita no plenário e transforma debate da escala 6x1 em cobrança pública
Erika Hilton enquadra direita no plenário e transforma debate da escala 6x1 em cobrança pública - Foto: Reprodução

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) fez, ontem, um dos discursos mais duros no plenário da Câmara dos Deputados durante o debate sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho. Em tom contundente, um parlamentar respondeu às críticas de adversários, acusou setores da direita de mudança oportunista de posição e transformou a discussão trabalhista em um debate político direto.

A fala ocorreu no momento em que a Câmara discutiu a proposta que acaba com a escala de seis dias de trabalho para um de descanso e avanços para um modelo de jornada com cinco dias de trabalho e dois de descanso. A votação obteve forte repercussão nacional por tratar de um tema sensível para milhões de trabalhadores brasileiros, especialmente nos setores de comércio, serviços, supermercados, bares, restaurantes, vigilância e atividades que tradicionalmente funcionam com escalas mais pesadas.

No plenário, Erika Hilton afirmou que a extrema direita estaria protagonizando, segundo suas palavras, um “teatro de biruta de aeroporto”. A deputada acusou adversários de terem atuado antes contra a proposta mais ampla de redução da jornada, no modelo 4x3, e agora tentará se apresentar como defensores de uma alternativa mais moderada.

“O líder, o presidente do partido deles foi à imprensa dizer que dariam o sangue para não aprovar o fim da escala”, disse o parlamentar, ao rebater a tentativa de setores oposicionistas de disputar a narrativa em torno da pauta trabalhista.

A deputada sustentou que, se a Câmara discutia naquele momento o modelo 5x2, isso ocorria porque a proposta mais ousada, de quatro dias de trabalho e três de descanso, teria sido bloqueada politicamente durante a tramitação. “Se hoje nós estamos votando 5x2 é porque eles obstruíram e impediram a votação do 4x3”, declarou.

O discurso proferido por Tom quando Erika afirmou que os opositores sofreram uma ocorrência da classe trabalhadora, das centrais sindicais e da sociedade. Para ela, uma mudança de postura de parlamentares contrários ao fim da escala 6x1 não seria resultado de convenção programática, mas de pressão popular.

“Aí levaram uma lambada da classe trabalhadora, levaram uma lambada das forças sindicais, levaram uma lambada da sociedade e agora estão fazendo esse teatro, esse papelão, essa farsa”, afirmou a deputada.

A fala teve forte carga política porque deslocou o debate do campo meramente técnico para a disputa de narrativa. De um lado, os defensores do fim da escala 6x1 afirmam que a mudança representa um avanço civilizatório, com mais tempo para descanso, família, estudo, lazer e saúde mental. Por outro lado, os críticos da proposta alegam preocupação com os impactos econômicos, especialmente para pequenos negócios e setores que dependem de funcionamento contínuo.

Erika Hilton, no entanto, tratou a resistência à proposta como uma escolha política contra o trabalhador. A deputada afirmou que a população compreende o movimento feito pelos parlamentares e que a resposta poderá vir nas urnas. “O trabalhador e a sociedade não são trouxas e vão mandar um recado na urna”, disse.

O trecho mais ácido do discurso ocorreu quando um parlamentar reagiu à tentativa de associar mudança de posição política à humilhação. Erika afirmou que humilhante não seria rever posição diante da pressão social, mas negar as próprias posições e recorrer a expedientes de constrangimento público. Em seguida, fez crítica direta aos adversários que, segundo ela, usam a internet para atacar, ridicularizar ou desviar o debate central.

Ao final, a deputada celebrou a mobilização da classe trabalhadora e vinculou o avanço da proposta à pressão popular. “Viva a classe trabalhadora brasileira, viva o presidente Lula e a nossa luta pelo fim da escala 6 por 1”, declarou.

O discurso de Erika Hilton repercutiu porque sintetizou a tensão política em torno da pauta. O fim da escala 6x1 deixou de ser apenas uma discussão sobre jornada de trabalho e passou a funcionar como rotina da relação entre Congresso, governo, oposição, sindicatos, empresários e trabalhadores.

A aprovação da proposta na Câmara representa uma política de vitória para os defensores da redução da jornada, mas o debate ainda deve continuar no Senado, onde o texto poderá sofrer novas pressões, alterações e disputas. Até lá, a fala de Erika Hilton ficou marcada como um dos momentos mais duros da votação: uma cobrança direta a parlamentares que, segundo ela, buscou frear a pauta e agora busca reposicionar o discurso diante da força da opinião pública.

Mais do que uma defesa da proposta, o pronunciamento foi um recado político. Erika Hilton colocou a escala 6x1 no centro de uma disputa maior: quem, no Congresso, está disposto a enfrentar interesses econômicos para garantir mais tempo, dignidade e descanso ao trabalhador brasileiro.