Política

Empregadores sugerem adiar discussão sobre escala 6x1 para depois das eleições

Setor produtivo pede análise técnica e critica pressa em mudanças na jornada semanal de trabalho

26/05/2026
Empregadores sugerem adiar discussão sobre escala 6x1 para depois das eleições
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Representantes do setor produtivo apresentaram, nesta terça-feira (26), sugestões para o debate sobre a escala de trabalho 6x1, durante reunião com Davi Alcolumbre e líderes partidários na sala da Presidência do Senado. A principal reivindicação foi que a discussão ocorra de forma técnica, preferencialmente após o período eleitoral.

O tema está em análise na Câmara dos Deputados. Além de propor a substituição da escala 6x1 (seis dias de trabalho e um de descanso) pela 5x2 (cinco dias trabalhados e dois consecutivos de repouso), as propostas em debate visam reduzir a jornada máxima semanal, atualmente fixada em 44 horas.

Entre os projetos que tratam do assunto estão o PL 1.838/2026, encaminhado pelo governo, e duas propostas de emenda à Constituição: a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e a PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). A expectativa é que o relatório da Câmara sobre as duas PECs seja votado ainda nesta semana. Caso aprovado, o texto seguirá para o Senado.

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que participou da reunião, criticou políticos que, segundo ele, utilizam temas de interesse nacional como bandeiras eleitorais. “O que se pede? Vamos sair desse período eleitoral, vamos discutir isso com a profundidade que seja verdadeira e necessária”, propôs.

Já o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que a intenção do encontro não foi contestar as propostas, mas buscar uma solução que contemple todos os envolvidos. Para Alban, os textos em discussão são equivocados e podem resultar em aumento médio de preços entre 6% e 8%. “Não se pode discutir um assunto desses, com tamanha seriedade e importância, de uma forma açodada. Esperamos e temos fé que o Senado vai entender isso”, destacou.

Negociação

Para Skaf, o debate sobre o fim da escala 6x1 deve ser técnico, considerando as cerca de 2 mil atividades afetadas. Ele se posicionou contra o “engessamento” da escala de trabalho na Constituição, defendendo que a jornada seja fruto de negociação entre empregadores e trabalhadores.

“O Senado deveria ter uma equipe técnica aprofundando, ouvindo todos os segmentos, analisando os detalhes, avaliando custo-benefício e os interesses do país. Mais diálogo, mais negociação e menos legislação”, defendeu Skaf.