Política
Andrei Roman diz que bolsonarismo prefere desacreditar pesquisa a enfrentar dados
CEO da AtlasIntel afirma que repercussão de áudio de Flávio Bolsonaro não contaminou pesquisa e que ataques à credibilidade ocultam impacto negativo do episódio.
O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou nesta sexta-feira (22) que o áudio em que Flávio Bolsonaro (PL) pede dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, não interferiu nos resultados da pesquisa presidencial divulgada esta semana pelo instituto. Segundo Roman, setores do bolsonarismo preferiram questionar a credibilidade do levantamento a aceitar os dados apresentados.
De acordo com a pesquisa, as intenções de voto em Flávio Bolsonaro caíram 5,4 pontos percentuais no primeiro turno e seis pontos em um eventual segundo turno. Com isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a liderar a disputa contra Flávio no segundo turno, ampliando também a vantagem no primeiro. Após a divulgação dos resultados, Andrei Roman foi alvo de ataques nas redes sociais por apoiadores do senador.
Na semana passada, vieram a público conversas entre Flávio e Daniel Vorcaro, nas quais o senador solicita recursos para a produção de um filme sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Roman explicou que, diante da repercussão do áudio, a AtlasIntel decidiu medir se trechos específicos da gravação impactariam a percepção dos eleitores sobre Flávio Bolsonaro. A pesquisa analisou elementos como menções a Deus, o pedido de ajuda para um projeto ligado ao pai e a forma como Flávio tratou Vorcaro, chamando-o de "irmão" e "irmãozinho".
"Foi uma coleta complementar à pesquisa principal e, portanto, não houve nenhum tipo de contágio sobre o cenário, sobre os resultados que a gente mediu", afirmou Roman durante painel no Fórum Esfera 2026, realizado em Guarujá (SP).
Segundo o CEO, a AtlasIntel utilizou a ferramenta Atlas VRC, geralmente empregada para mensurar o impacto de propagandas comerciais em audiências. O recurso também é utilizado, em alguns casos, para analisar debates políticos, lives e entrevistas, identificando em tempo real quais elementos do discurso geram reações mais positivas ou negativas entre os eleitores.
"Existe uma resistência dentro do bolsonarismo hoje de entender que, de fato, esse foi um episódio muito negativo e tem um impacto", acrescentou Roman, destacando que situações como essa são comuns em cenários eleitorais polarizados como o brasileiro. "O mais fácil, então, é tentar tirar um pouco da credibilidade da pesquisa do que encarar uma realidade política."
Os repórteres viajaram a convite do Esfera Brasil.
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