Política
Heloísa Helena defende investigação sem blindagem: “Seja filho de Bolsonaro, Lula ou quem quer que seja”
Parlamentar fez apelo direto ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, defendeu a instalação de comissão parlamentar de inquérito e afirmou que investigação deve alcançar “quem for podre”, independentemente de partido ou grupo político
A deputada Heloísa Helena fez hoje (21) um discurso contundente em sessão do Congresso Nacional ao defender a instalação de uma CPMI para investigar o Banco Master e seus desdobramentos políticos, financeiros e institucionais. Em tom duro, a parlamentar dirigiu um apelo direto ao presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, para que a apuração avance e não fique restrita a disputas de ocasião entre governo e oposição.
Logo no início da intervenção, Heloísa Helena afirmou que sua questão de ordem tinha fundamento no artigo 21 do Regimento Comum e no artigo 58, parágrafo 3º, da Constituição Federal, dispositivo que trata da criação de Comissões Parlamentares de Inquérito. Apesar da formalidade regimental, a parlamentar rapidamente transformou a fala em uma cobrança política enfática.
Segundo ela, desde que retornou ao Congresso, no fim de dezembro, iniciou, ao lado da deputada Fernanda Melchionna, a coleta de assinaturas para viabilizar a comissão. Heloísa relatou dificuldades para conseguir o apoio necessário e criticou parlamentares que, segundo sua avaliação, evitavam assinar o requerimento.
“Foi muito duro para conseguir as assinaturas”, afirmou. Em seguida, a deputada subiu o tom e disse que, em alguns momentos, “o véu da hipocrisia, da vigarice política” é retirado, numa crítica ao que classificou como seletividade moral dentro da política brasileira.
A parlamentar afirmou que não aceita o que chamou de “moralismo farisaico”, aquele que condena irregularidades quando envolvem adversários, mas se cala ou tenta encobrir fatos quando os suspeitos pertencem ao próprio grupo político.
“Eu não cedo àqueles que só sentem o odor fétido dos esgotos da política quando está na casa do adversário, mas põem um perfuminho francês para não sentir a podridão do esgoto da política quando é no seu grupelho político”, declarou.
Heloísa Helena fez questão de destacar que o requerimento de criação da CPMI reuniu assinaturas de parlamentares de diferentes campos ideológicos. Segundo ela, havia apoio de nomes da direita, da esquerda, de comunistas e de liberais, tanto na Câmara quanto no Senado. A parlamentar disse que a investigação não pode ser usada como instrumento de conveniência política, nem para proteger aliados.
No centro do discurso, Heloísa afirmou que a CPMI deve investigar o Banco Master e o que chamou de “sistema da bandidagem”. As acusações feitas por ela em plenário foram duras: a parlamentar mencionou suposta lavagem de dinheiro, prejuízos a aposentados e pensionistas e relações com diferentes esferas de poder. Por se tratar de declarações feitas no ambiente parlamentar, as afirmações devem ser tratadas como acusações políticas que, segundo a própria deputada, precisam ser apuradas oficialmente.
A deputada afirmou que o caso envolveria aposentados e pensionistas em 19 estados, citando inclusive o Rio de Janeiro, estado que hoje representa no Congresso. Em sua fala, ela disse que a apuração precisa mostrar ao país a extensão dos fatos e separar responsabilidades.
“É obrigação nossa abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito”, disse Heloísa.
Em outro trecho de forte carga pessoal, a parlamentar lembrou sua ligação com o Rio de Janeiro e com o Nordeste. Ela afirmou representar com orgulho o estado fluminense, mas recordou a história do pai, que saiu do Rio “com o corpo quebrado de pedreiro” e voltou ao Nordeste com sonhos frustrados. A lembrança foi usada para reforçar a ideia de que seu mandato não estaria a serviço de grupos de poder.
“Foi o estado do Rio de Janeiro que me trouxe de volta para o Congresso Nacional, não para lamber o rastro por onde passa o poder, esteja ele na sigla partidária que for”, afirmou.
A expressão mais forte do discurso veio quando Heloísa Helena defendeu que a investigação atinja todos os envolvidos, sem blindagem partidária. A deputada usou uma frase típica de sua retórica combativa para afirmar que eventuais responsáveis devem responder, independentemente de sobrenome, cargo ou alinhamento político.
“Quem é podre que se quebre, seja filho do Bolsonaro, do Lula ou de quem quer que seja”, declarou.
Para a parlamentar, a instalação da CPMI teria uma vantagem política e institucional: permitiria que as informações viessem a público de forma mais ampla. Ela argumentou que uma comissão parlamentar não ficaria submetida à lógica do segredo de Justiça nem dependeria de vazamentos seletivos para a imprensa. Na visão dela, a investigação parlamentar daria ao povo brasileiro condições de acompanhar os fatos e compreender o que chamou de “mistérios sujos” envolvendo o Banco Master.
“A CPI vai possibilitar que o povo brasileiro veja, separe o joio do trigo”, afirmou.
Heloísa também criticou o que classificou como movimentações oportunistas em torno do requerimento. Segundo ela, algumas adesões só ocorreram depois de uma derrota política do governo no Senado. A deputada afirmou que esse tipo de cálculo não move sua atuação.
“O que move nossos passos é a dor e o sofrimento dos pobres”, disse.
Ao concluir, a parlamentar afirmou que os mais pobres costumam ser os principais prejudicados quando escândalos financeiros e políticos geram prejuízos ao poder público. Segundo ela, os rombos acabam recaindo sobre orçamentos municipais e estaduais, afetando diretamente a população que depende de serviços públicos.
“Nós não aceitamos que o povo pobre, mais uma vez, tampe o rombo do bandidismo político do Banco Master”, afirmou.
O discurso de Heloísa Helena reforça a pressão pela abertura de uma comissão parlamentar de investigação sobre o Banco Master. A fala também marca uma tentativa de deslocar o debate para além da disputa entre governo e oposição, colocando no centro da cobrança a necessidade de apuração ampla, pública e sem proteção a aliados de qualquer campo político.
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