Política
Após mostrar as vísceras de João Caldas e família no caso Banco Master, Aldo Rebelo é expulso do partido
Ex-ministro foi afastado do Democracia Cristã depois de acusar João Caldas de trocar sua pré-candidatura pela de Joaquim Barbosa como tentativa de blindagem diante das investigações envolvendo o Banco Master e o Iprev de Maceió
A crise interna no Democracia Cristã ganhou um novo e explosivo capítulo nesta quinta-feira (21). A direção nacional do partido decidiu abrir procedimento disciplinar contra o ex-ministro Aldo Rebelo e encaminhar sua expulsão sumária da legenda, em meio ao racha provocado pela substituição de sua pré-candidatura à Presidência da República pelo nome do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa.
A decisão ocorre um dia depois de Aldo Rebelo tornar pública uma acusação grave contra o presidente nacional do DC, o ex-deputado alagoano João Caldas, pai do ex-prefeito de Maceió JHC. Em entrevista à CNN Brasil, Aldo afirmou que sua substituição por Joaquim Barbosa estaria ligada ao escândalo envolvendo o Banco Master em Alagoas, mais especificamente ao aporte milionário feito pelo Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió, o Iprev, em títulos da instituição financeira.
Segundo Aldo, a Prefeitura de Maceió teria aplicado R$ 117 milhões em títulos do Banco Master por meio do Iprev durante a gestão de JHC, filho de João Caldas. O ex-ministro afirmou ainda que o presidente nacional do DC teria buscado em Joaquim Barbosa uma espécie de proteção política ou sinalização institucional diante do avanço das apurações sobre o caso.
A declaração elevou a crise de uma simples disputa por candidatura presidencial para um embate que envolve Alagoas, Brasília, Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal, Banco Master e o futuro político da família Caldas.
Até então, Aldo Rebelo vinha sendo tratado como o nome do Democracia Cristã para a disputa presidencial de 2026. A situação mudou após João Caldas passar a defender Joaquim Barbosa como pré-candidato do partido ao Palácio do Planalto. A movimentação foi vista por Aldo como uma rasteira política e, depois das denúncias feitas por ele, a resposta da cúpula do DC veio em forma de expulsão.
Na nota divulgada pelo partido, a direção nacional afirma que as declarações recentes de Aldo Rebelo à imprensa nacional não condizem com os valores da legenda. O DC também acusou o ex-ministro de adotar postura intransigente, de fazer ataques à direção partidária e de inviabilizar uma solução consensual para a crise.
O partido declarou que “não há espaço para ameaças, calúnias, difamação, má-fé e arrogância” e informou que o procedimento disciplinar resultará na expulsão sumária de Aldo, com comunicação à Justiça Eleitoral.
Para aliados de Aldo Rebelo, no entanto, a expulsão tem caráter de retaliação. A leitura nos bastidores é que o ex-ministro foi afastado em uma espécie de vindita política depois de expor publicamente a relação entre a mudança de candidatura no DC e as preocupações de João Caldas com o caso Banco Master.
Aldo havia afirmado que João Caldas estaria “muito nervoso” com a investigação envolvendo o Banco Master e que a substituição de sua pré-candidatura por Joaquim Barbosa não teria sido apenas uma decisão eleitoral, mas também uma tentativa de aproximação com um ex-presidente do STF no momento em que o caso chegava ao ambiente da Suprema Corte.
A fala mais dura de Aldo foi a de que João Caldas teria procurado “algum tipo de proteção” em um ex-ministro do Supremo porque a investigação envolvendo o Banco Master seguiria para o STF. A acusação, pela gravidade política e jurídica, deve ser tratada como declaração de Aldo Rebelo no contexto de uma disputa interna partidária, sem que exista, até o momento, decisão judicial definitiva apontando culpa de João Caldas, JHC ou integrantes da gestão municipal de Maceió.
Além da ligação com o Banco Master, Aldo também afirmou que estaria circulando em Brasília e em Alagoas um dossiê sobre “os negócios da família Caldas na Prefeitura de Maceió”. O ex-ministro não detalhou o conteúdo do suposto material nem apresentou documentos públicos que sustentem a acusação, mas a declaração ampliou o desgaste político do grupo comandado por João Caldas.
A crise atinge diretamente o Democracia Cristã em um momento delicado. O partido tentava reposicionar sua presença nacional com uma candidatura presidencial competitiva, primeiro com Aldo Rebelo e, depois, com Joaquim Barbosa. A troca, porém, abriu uma guerra pública entre o ex-ministro e a direção nacional da legenda.
João Caldas, por sua vez, confirmou que Joaquim Barbosa passou a ser o nome do DC para a disputa presidencial e afirmou que o ex-ministro do STF contaria com apoio do diretório nacional. Aldo contestou a versão e disse que sua candidatura continuava mantida, argumentando que Barbosa sequer havia se manifestado publicamente sobre a disposição de disputar a eleição.
Com a expulsão, o DC tenta encerrar a crise pela via disciplinar. Mas a medida pode produzir o efeito contrário: transformar Aldo Rebelo em denunciante político de um processo interno que, segundo ele, teria sido contaminado pelo temor dos efeitos do caso Banco Master em Alagoas.
O episódio também projeta o escândalo do Banco Master para dentro da sucessão estadual alagoana. A aplicação de recursos do Iprev de Maceió em papéis da instituição financeira já vinha sendo explorada por adversários políticos de JHC, que deixou a Prefeitura de Maceió para disputar as eleições de 2026. Com a crise no DC, o tema passa a ter repercussão nacional e entra no centro da disputa pela narrativa política.
A expulsão de Aldo Rebelo, portanto, não encerra apenas sua passagem pelo Democracia Cristã. Ela aprofunda uma disputa que começou com a substituição de uma candidatura presidencial, avançou para denúncias envolvendo João Caldas, Banco Master e Iprev de Maceió, e agora ameaça transformar o DC em palco de uma crise nacional com fortes reflexos em Alagoas.
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