Política

Produtores de “Tropa de Elite” levam PC Farias ao cinema em filme sobre escândalo dos anos 90

Longa vai retratar a trajetória do operador político ligado ao governo Collor, pivô de uma crise que marcou a redemocratização brasileira

Redação com agências 19/05/2026
Produtores de “Tropa de Elite” levam PC Farias ao cinema em filme sobre escândalo dos anos 90
PC Farias e Collor, protagonistas de um dos maiores escândalos nacionais

A trajetória meteórica, controversa e ainda cercada de sombras de Paulo César Farias, o PC Farias, vai ganhar as telas do cinema. O personagem, que ficou conhecido nacionalmente como operador financeiro e homem de confiança de Fernando Collor de Mello, será o centro de um novo longa-metragem produzido por nomes de peso do audiovisual brasileiro.

O projeto reúne o roteirista Braulio Mantovani, indicado ao Oscar por Cidade de Deus, e os produtores José Padilha e Marcos Prado, responsáveis por sucessos como Tropa de Elite e Tropa de Elite 2. A direção ficará com Felipe Prado e João Prado, enquanto o roteiro será assinado por Mantovani em parceria com Fernando Garrido.

A produção será realizada pelas produtoras Black Bean Films, Zazen e Ventre Studio. Os testes de elenco já foram iniciados, e a previsão é de que as filmagens comecem no primeiro semestre de 2027.

PC Farias foi uma das figuras centrais do maior escândalo político da década de 1990 no Brasil. Sua atuação nos bastidores da campanha presidencial de 1989 e, depois, nas engrenagens de arrecadação e influência ligadas ao governo Collor, transformou seu nome em sinônimo de poder paralelo, corrupção e crise institucional.

O caso ganhou dimensão nacional após as denúncias feitas por Pedro Collor, irmão do então presidente, em entrevista à revista Veja. As revelações desencadearam uma sequência de investigações, mobilização popular e pressão política que culminaram no processo de impeachment. Fernando Collor renunciou à Presidência em 1992.

Com a queda do grupo político, PC Farias passou a ser alvo da Justiça. Ele fugiu do Brasil, foi capturado na Tailândia e extraditado em 1994. Depois, cumpriu pena até obter liberdade condicional no fim de 1995.

O capítulo final de sua história ocorreu em junho de 1996, em Maceió. PC Farias foi encontrado morto com um tiro no peito em sua casa de praia, ao lado da namorada, Suzana Marcolino, também morta a tiros. O caso foi inicialmente tratado como crime passional seguido de suicídio, mas passou por perícias contraditórias, suspeitas e reviravoltas que alimentaram, durante décadas, dúvidas sobre o que realmente aconteceu.

Ao levar PC Farias ao cinema, os produtores de Tropa de Elite trocam o universo da segurança pública pelo submundo da política brasileira dos anos 90. A promessa é de um filme sobre ambição, dinheiro, poder e mistério — ingredientes que fizeram do caso PC um dos episódios mais emblemáticos da história recente do país.