Política
Presidente do STJ critica lobby em votações sobre decisões judiciais durante congresso
Ministro Herman Benjamin repudia tentativas de influência externa em enunciados debatidos no 2º Congresso STJ da Segunda Instância Federal e Estadual, em Brasília.
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, afirmou que a magistratura não pode servir como "barriga de aluguel" de grupos externos que tentam influenciar votações de enunciados debatidos e aprovados em congressos do Judiciário.
"Isso é inadmissível, porque nós não somos barriga de aluguel de ninguém. Na República e no Estado de Direito, a magistratura não é barriga de aluguel de ninguém", declarou nesta segunda-feira, 18, durante a abertura do 2º Congresso STJ da Segunda Instância Federal e Estadual, em Brasília.
Os enunciados funcionam como diretrizes que sintetizam o entendimento sobre questões controversas ou norteiam a interpretação jurídica das leis. Em congressos promovidos pelo STJ, com magistrados de primeira e segunda instâncias, essas orientações são propostas, discutidas e votadas. Segundo o ministro, "exercem influência relevante sobre decisões judiciais em todo o País".
Herman Benjamin relatou que experiências anteriores do evento evidenciaram a atuação coordenada de grupos para aprovar ou derrubar entendimentos. "Fomos vendo lobbies se organizarem e virem em bloco para as jornadas e derrotarem propostas que contavam com a esmagadora aprovação dos magistrados, com base na jurisdição, na sua experiência, ou aprovarem propostas que contrariavam a jurisprudência e o entendimento da magistratura brasileira", disse.
O ministro explicou que o modelo adotado no 2º Congresso STJ da Segunda Instância Federal e Estadual permite que integrantes do Ministério Público, Defensoria Pública, advocacia, academia e servidores do Judiciário apresentem propostas, mas restringe a votação exclusivamente a juízes e desembargadores.
Herman também relatou situações em que participantes deixavam uma sala de votação para atuar em outra, com o objetivo de alterar resultados. "De repente, do nada, uma sala é esvaziada. Saem todos. É o lobby organizado. Indo para uma outra sala para derrotar ou para aprovar uma proposta que depois sai com a rubrica da magistratura brasileira", afirmou.
Ele defendeu maior integração entre os diferentes ramos da magistratura e destacou que juízes têm posição privilegiada para identificar lacunas e problemas na legislação. No entanto, ressaltou que mudanças nas leis devem ser feitas pelo Congresso Nacional, em respeito à separação dos Poderes.
Mais lidas
-
1GREVE
PM usa bombas e gás para desocupar reitoria da USP; estudantes prometem ato unificado na segunda (11)
-
2MACEIÓ
Servidores cobram JHC por caso Banco Master e perdas salariais
-
3TÊNIS INTERNACIONAL
Sinner pode quebrar dois recordes históricos se vencer Ruud na final do Masters 1000 de Roma
-
4INFRAESTRUTURA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL
Aeroporto de Penedo está pronto e aguarda autorização para primeiros voos, afirma Paulo Dantas
-
5CONFLITO FUNDIÁRIO
SSP/AL recebe vereador e representantes de grupo envolvido em disputa de terras em Palmeira dos Índios