Política
Projeto cria testamento simplificado gratuito para bens digitais, como contas em redes sociais
Proposta em análise na Câmara prevê documento eletrônico para registro de vontades sobre bens digitais, doação de órgãos e cuidados médicos. Novo formato busca agilizar inventários e reduzir litígios.
O Projeto de Lei 7224/25 propõe a criação do Testamento Digital Simplificado, um documento eletrônico gratuito que permite o registro de disposições sobre bens digitais, doação de órgãos e cuidados médicos. O texto está em análise na Câmara dos Deputados.
De acordo com o deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), autor da proposta, "estudos demonstram que a judicialização de sucessões sem testamento consome recursos públicos e prolonga desnecessariamente o sofrimento das famílias".
O parlamentar destaca ainda que "o testamento digital, ao previamente esclarecido a vontade da pessoa falecida, reduz litígios, acelerações e libera o Poder Judiciário para questões mais complexas".
Principais pontos
Pela proposta, a lavratura do testamento digital será realizada por videoconferência com um tabelião de notas, sendo a gravação armazenada por 30 anos. O serviço poderá ser utilizado por qualquer pessoa com mais de 16 anos de idade.
Todo o procedimento ocorrerá por meio da futura Plataforma Nacional de Testamento Digital, a ser criada pelo projeto e gerida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Para garantir a segurança jurídica, será exigida certificação digital ou biometria integrada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Outras medidas
O formato digital não substituirá os testamentos previstos no Código Civil, mas permitirá disposições sobre bens digitais, como contas em redes sociais e criptomoedas, além de bens móveis de até mil mínimos (atualmente, R$ 1,6 milhão).
Ficam proibidos no testamento digital simplificado as disposições sobre imóveis, reconhecimento de paternidade ou bens de alto valor. Nesses casos, o cidadão deverá recorrer aos testamentos tradicionais.
A proposta também institui o administrador digital, pessoa que poderá ser nomeada no testamento digital simplificado para gerenciar, transferir ou excluir contas e ativos virtuais na internet após a morte do titular.
Próximos passos
A proposta tramita em carácter conclusivo e será comprovada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para que se torne lei, o texto precisa ser aprovado tanto pela Câmara quanto pelo Senado.
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