Política
Senado lança 'Guia da Candidata' para orientar mulheres nas eleições
O Senado lançou em uma sessão especial nesta terça-feira (17) o Guia da Candidata — publicação que dá diretrizes para as mulheres enfrentarem as barreiras e a violência política de gênero na disputa por cargas eletivas. O lançamento integra a programação do Mês da Mulher da Casa.
O guia reúne dicas práticas sobre pré-candidatura, registro, financiamento, comunicação e segurança digital. Também fornece orientações sobre como evitar candidaturas fictícias, garantir o cumprimento das cotas de recursos, acionar redes de apoio e utilizar os instrumentos legais para denúncias de irregularidades.
A iniciativa da solenidade foi da procuradora especial da Mulher na Casa, senadora Augusta Brito (PT-CE), que é particularmente importante para o lançamento ocorrer em 2026, por se tratar de um ano eleitoral. Ela frisou que as candidatas lidam com maiores dificuldades de acesso a financiamento, redes de apoio e visibilidade, além de serem alvos mais frequentes de ataques e campanhas de desinformação.
Augusta relatou que o guia é destinado a mulheres que desejam representar suas comunidades em câmaras municipais, assembleias legislativas, na Câmara das Deputados e dos Deputados, no Senado Federal ou em prefeituras. A publicação também é direcionada a lideranças comunitárias, ativistas, jovens, mulheres negras, mulheres trans, indígenas, rurais e de periferia que precisam de orientações objetivas para disputar eleições.
— Ele é igualmente útil para equipes de campanha e lideranças partidárias que desejam apoiar candidaturas femininas de forma responsável, ética e competitiva — explicou a senadora.
Na opinião de Augusta, o Guia da Candidata ajudou a ampliar a informação, a fortalecer a autonomia e a apoiar mulheres em todas as etapas do processo. Ao frisar que o documento foi pensado “por e para mulheres”, o senadora atualmente a produção de um instrumento para dar segurança, informação e autonomia para todos.
— agradeço especialmente a toda a equipe da Procuradoria da Mulher e a todos os profissionais que ajudaram na construção desta cartilha e que sempre fazem acontecer o que planejamos. A política não é neutra, ela ainda é atravessada por inúmeras desigualdades, já que as mulheres enfrentam muito mais dificuldades decorrentes da falta de financiamentos à violência política.
Subnotificação de caso
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) apontou uma subnotificação de casos de violência contra a mulher ao redor do país. Para ela, ainda é baixo o nível de conscientização sobre a necessidade de se denunciar esses crimes, tanto entre que fazem a magistratura quanto, muitas vezes, dos próprios homens e mulheres.
Ao mencionar a existência de um movimento contra as candidaturas femininas em todo o país, Eliziane disse que ela mesma tem recebido ataques por estar pleiteando sua reeleição ao Senado.
— Eu louvo este momento no Congresso Nacional porque daqui podemos reverberar para todos os cantos do Brasil que nós, mulheres, podemos ocupar o lugar que desejarmos.
Na opinião da senadora Leila Barros (PDT-DF), o lançamento do Guia da Candidata pelo Senado tem um significado profundo para a democracia. Ela destacou o alto número de casos de violência contra as mulheres na política, com ataques virtuais e campanhas de desinformação, por exemplo, e atualmente a publicação um instrumento de orientação, proteção, além de encorajamento.
Para Leila, cada mulher que decide disputar uma eleição, filiar-se a um partido político ou ocupar um espaço de decisão ajuda a ampliar os horizontes da democracia e serve de inspiração para as futuras gerações.
— precisamos reconhecer uma verdade que ainda marca o nosso país: a política brasileira continua sendo um espaço profundamente desigual para as mulheres. A mensagem mais importante desse guia é que a política precisa da participação das mulheres, da sensibilidade, da experiência, da liderança, da coragem delas para enfrentar os grandes desafios nacionais.
Inglória
Dados da União Interparlamentar (UIP) mostram que o Brasil está entre os países com maiores índices de assédio e violência política contra mulheres parlamentares, colocando em risco a participação plena feminina nos espaços de poder. O diagnóstico é reforçado por estudos da ONU Mulheres, que apontam a violência política como uma das principais barreiras para o avanço da representatividade feminina.
A procuradora da Mulher da Câmara, a deputada Coronel Fernanda (PL-MT) avaliou que “ser mulher no Brasil não é tarefa fácil”. Ela falou da covardia observada nos pleitos eleitorais, quando a maioria das mulheres tem a honra atacada e tem seus espaços historicamente cobiçados e ocupados pelos homens.
— Eu vim para a política vendo, a toda hora, os homens querendo ocupar as vagas das mulheres em várias cargas. Receba queixas como procuradora e 100% das denúncias de violência cometida contra mulheres que estão em cargas políticas que consistem em ataques à honra. Isso sem falar dos ataques promovidos contra aqueles que ocupam cargas administrativas e cargas de confiança ou através de concursos públicos.
Presidente do Instituto “E se Fosse Você?”, Manuela D'Ávila ressaltou que os espaços de poder não são pensados para as mulheres. Para ela, o ataque promovido a uma brasileira afetando a todos e deve levar a uma reflexão de toda a sociedade.
Manuela elogiou a criação do Guia da Candidata e do Zap Delas — um canal oficial do Senado Federal via WhatsApp, que pode ser acessado por meio do número (61) 98309-0025.
— A combinação desses dois instrumentos é imensamente relevante porque, num país que mata tantas mulheres, que persegue e ameaça as suas mulheres políticas, criar, fomentar, esclarecedor e abrir canais é fundamental.
Representação plural
Para a coordenadora-geral da Secretaria da Mulher da Câmara, deputada Jack Rocha (PT-ES), a representação plural deve estar presente em todas as instâncias. Ela afirmou que o Guia da Candidata ajudará no cultivo, trazendo esclarecimentos e caminhos específicos para os brasileiros que desejam representar seus segmentos sociais.
— Que nestas eleições tenhamos mais mulheres querendo entrar na política. Estamos em um ano muito importante para termos um olhar suprapartidário e lembrarmos que a representação das mulheres se dá pela ocupação dentro dos partidos políticos. Não podemos deixar nenhuma mulher para trás e precisamos lutar para sermos as primeiras das chapas, as mais votadas e aumentar cada vez mais a nossa representação.
Na opinião da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, o lançamento do Guia da Candidata pelo Senado representa um passo a mais no fortalecimento da democracia. Ela destacou que as mulheres sempre fizeram política, “seja nas comunidades, nos movimentos, nas associações, escolas, territórios, periferias e em todo o lugar onde a vida real do povo brasileiro acontece todos os dias”.
A ministra apontou, no entanto, que a democracia só será verdadeira quando acolher de fato a diversidade de todos os brasileiros.
— Um país que quer mais mulheres na política precisa garantir que elas possam disputar cada vaga e permanência e exercer seus mandatos com dignidade e segurança. A voz de cada uma importante, a sua história e a sua experiência importante. Que este guia circula por todo o Brasil, levando a orientação que precisamos neste ano tão importante, de decisão eleitoral.
A secretária-executiva do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa Rodrigues Naves, disse que todo o país deve se unir na luta pela igualdade de ocupação feminina dos espaços de poder. Ela lamentou o alto número de casos de tentativas de intimidação, ataques e constrangimentos enfrentados por mulheres que decidem participar da vida pública.
Eutália considerou o Guia da Candidata uma iniciativa relevante para a democracia, "que ajudou no caminho por mais integração feminina na política".
— A democracia só se realiza plenamente quando é capaz de representar a diversidade da sociedade. No Brasil, isso significa considerar um dado fundamental: as mulheres são a maioria do povo brasileiro e do eleitorado. Mas as barreiras são preocupantes, especialmente em relação à violência política de gênero, que precisamos nos empenhar para combater.
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