Política

Polícia Legislativa investiga ameaça de morte à deputada Carol Dartora

Deputada federal do PT-PR recebeu e-mail com ameaças de morte, estupro e tortura; caso é investigado pelo Depol e PF

16/03/2026
Polícia Legislativa investiga ameaça de morte à deputada Carol Dartora
Carol Dartora - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O Departamento de Polícia Legislativa da Câmara (Depol) abriu investigação sobre ameaças de morte, estupro e tortura enviadas à deputada federal Carol Dartora (PT-PR) por meio do e-mail institucional da Casa.

Segundo a equipe da parlamentar, as apurações tiveram início após autorização do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), para abertura do processo.

A mensagem foi recebida às 2h46 da madrugada de domingo. O remetente se apresentou como Lucas Bovolini Martins, utilizando um endereço do serviço criptografado ProtonMail, sediado na Suíça. O assunto do e-mail afirmava que a deputada iria "pagar", trazendo insultos racistas e misóginos.

Além de acionar o Depol, Carol Dartora solicitou à Polícia Federal a abertura de inquérito. O gabinete também notificou a Procuradoria-Geral da República, o Ministério da Justiça, a Secretaria da Mulher da Câmara e a liderança do PT na Casa, atualmente sob comando de Pedro Uczai. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, recebeu comunicação formal sobre o caso.

A mensagem continha outros ataques racistas, misóginos e contra a população LGBTQIA+. Em trecho divulgado pela deputada, o autor escreveu: "Vou te encontrar e fazer você pagar por cada palavra de m... que você já disse. Vou te estuprar até você não aguentar mais... Você vai morrer, sua preta de m..."

O episódio não é isolado. Em 4 de fevereiro de 2025, a deputada estadual Lívia Duarte (PSOL-PA), primeira parlamentar negra da Assembleia Legislativa do Pará, também recebeu mensagem eletrônica remetida sob o mesmo nome, Lucas Bovolini Martins.

Era a terceira ameaça de morte recebida por Lívia. O ofício enviado à Depol aponta escalada progressiva de violência entre os episódios: a mensagem dirigida a Dartora traz descrições detalhadas de violência sexual, agravando as ameaças de morte do caso anterior.

Nos ofícios, Carol Dartora solicita investigação por ameaça qualificada, injúria racial, violência política de gênero e ciberterrorismo. O gabinete pede cooperação internacional para identificar o autor, uma vez que o ProtonMail opera sob jurisdição suíça.

Em comunicação ao presidente da Câmara, Dartora classificou o episódio como ataque ao exercício do mandato, solicitando reforço de segurança e medidas institucionais de proteção.

A deputada atribui as ameaças à apresentação de dois projetos de lei protocolados na última sexta-feira, o PL 1144/2026 e o PL 1145/2026, ambos voltados ao combate à misoginia digital.

As propostas preveem o endurecimento de penas para ataques coordenados a mulheres na internet, responsabilização de plataformas e aumento das punições para crimes misóginos praticados por grupos organizados, incluindo aqueles ligados à chamada cultura "red pill".