Política

Blogueiro investigado por reportagens sobre carro oficial de Dino se cala em depoimento à PF

Luís Pablo, autor de publicações sobre uso de veículo oficial por Flávio Dino, exerceu direito ao silêncio durante oitiva na Polícia Federal.

13/03/2026
Blogueiro investigado por reportagens sobre carro oficial de Dino se cala em depoimento à PF
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

O jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, investigado pela Polícia Federal por suposto "monitoramento ilegal" do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, permaneceu em silêncio durante depoimento prestado na tarde desta sexta-feira, 13.

Responsável pelo Blog do Luís Pablo, o jornalista passou a ser alvo do inquérito das fake news do STF após publicar reportagens sobre o uso de veículo oficial por Dino e familiares em deslocamentos no Maranhão.

Na última terça-feira, 10, Luís Pablo foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes.

Durante o depoimento, o delegado da Polícia Federal ressaltou que Luís Pablo tinha direito constitucional ao silêncio e ao sigilo das fontes. O blogueiro, então, comunicou que não responderia às perguntas, conforme informou sua defesa.

Segundo Flávio Dino, sua equipe identificou monitoramento e ameaças à segurança, levando o caso à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.

Inicialmente, o caso foi conduzido pelo ministro Cristiano Zanin, que identificou conexão com o inquérito das fake news e repassou a investigação ao relator Alexandre de Moraes.

No despacho que autorizou a busca, Moraes afirmou que o jornalista "se valeu de algum mecanismo estatal para identificação e caracterização dos veículos", o que teria resultado em "exposição indevida relacionada à segurança de autoridades". A Procuradoria-Geral da República concordou com a medida.

As reportagens, publicadas a partir de novembro, apontam que Flávio Dino estaria utilizando, em São Luís, um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), adquirido com recursos do Fundo Especial de Segurança dos Magistrados (Funseg-JE), destinado à proteção institucional de magistrados e às atividades do Judiciário estadual.

Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestaram preocupação em relação à decisão de Moraes.

As entidades destacam que a atividade jornalística é protegida constitucionalmente pelo sigilo da fonte, e que qualquer medida que viole essa garantia representa ameaça ao livre exercício do jornalismo. Já a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou a decisão de Moraes, afirmando que ela coloca toda a categoria em risco.