Política
Justiça solta vereador suspeito de negociar campanha com facção
Desembargador do TJ-RJ considerou prisão de Salvino Oliveira (PSD) 'precária' e sem provas suficientes.
O desembargador Marcus Basilio, da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, revogou na tarde desta sexta-feira, 13, a prisão do vereador Salvino Oliveira (PSD). O parlamentar havia sido detido na quarta-feira, 11, pela Polícia Civil, sob suspeita de ter solicitado autorização a lideranças do Comando Vermelho (CV) para realizar campanha eleitoral em áreas controladas pela facção.
Na decisão, Basilio afirmou que não encontrou, nos elementos apresentados para justificar a detenção, "imprescindibilidade para a investigação, fundadas razões de autoria/participação e fatos contemporâneos" que justificassem a manutenção da prisão do vereador.
O desembargador classificou o fundamento da prisão como "bastante precário" e destacou que havia apenas referência a uma conversa de terceiros ocorrida há mais de um ano.
De acordo com a Polícia Civil, Salvino teria negociado diretamente com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como "Doca", a autorização para fazer campanha na comunidade da Gardênia Azul, na zona oeste do Rio, área sob domínio do Comando Vermelho.
Em contrapartida, o vereador articularia benefícios ao grupo criminoso, apresentados como ações voltadas à população local. Um dos exemplos citados pelos investigadores foi a escolha dos administradores de quiosques na Gardênia Azul, que seriam ligados à facção. Até o momento, os investigadores não apresentaram provas do envolvimento direto de Salvino no caso.
Após ser solto, Salvino divulgou nota comemorando a decisão e alegando ser vítima de disputa política. "O Poder Judiciário corrigiu uma injustiça. Eu disse que estava sendo vítima de uma briga política. E acredito que isso tenha ficado claro", declarou. Ele também afirmou que seus acusadores "vão prestar contas à Justiça" e "responder pelos seus atos".
A prisão desencadeou um conflito entre o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), aliado do vereador, e o governador Cláudio Castro (PL). Paes acusou o chefe do Executivo estadual de utilizar politicamente as forças de segurança e de promover perseguição contra opositores.
A investigação policial ainda aponta outros dois alvos que não foram localizados: Márcia Gama, esposa do criminoso investigado, apontada como intermediária de interesses do grupo fora do sistema prisional; e Landerson, sobrinho do traficante Marcinho VP, suspeito de atuar como elo entre lideranças da facção, integrantes das comunidades e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pela organização. Ambos são considerados foragidos.
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