Política
Governo Lula revoga visto de assessor de Trump que visitaria Bolsonaro na cadeia
Decisão responde à omissão de informações sobre o real motivo da viagem e a restrições impostas a autoridades brasileiras nos EUA.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva revogou o visto diplomático concedido a Darren Beattie , consultor sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos, que planejava visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. Beattie seria enviada como representante do governo Donald Trump.
Mais cedo, o presidente Lula afirmou que a Beattie foi proibida de entrar no Brasil. O petista lembrou que, em 2023, autoridades brasileiras também tiveram vistos revogados e foram impedidas de participar da Assembleia Geral da ONU em Nova York, incluindo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e seus familiares.
"Aquele cara americano que disse que vinha para cá para visitar o Jair Bolsonaro, ele foi proibido de visitar. E eu o proibi de vir ao Brasil enquanto não liberei o visto do meu amigo ministro da saúde que está bloqueado. Bloquearam o visto do Padilha, da mulher dele e da filha dele de 10 anos", declarou Lula durante evento no Rio de Janeiro.
De acordo com as autoridades brasileiras, Beattie teria omitido o verdadeiro motivo da viagem. Inicialmente, ele informou que participou de um fórum sobre minerais críticos e teria reuniões oficiais com o governo brasileiro, sem mencionar a intenção de visitar Bolsonaro na prisão. Somente após pedidos de alteração de dados para a visita ao ex-presidente, submetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF), é que Beattie passou a solicitar reuniões com o governo.
O chanceler Mauro Vieira, ao ser consultado pelo ministro-relator Alexandre de Moraes, opinou que o encontro em ano eleitoral configuraria ingerência indevida em assuntos internos. Diante disso, Moraes revogou a autorização para visita na cadeia.
Segundo o Itamaraty, as reuniões alegadas pela Beattie não estavam agendadas no período em que o visto foi solicitado. Após a concessão do visto, a defesa de Bolsonaro comunicou oficialmente o interesse na visita ao cárcere.
O Ministério das Relações Exteriores concluiu que houve omissão e falsificação de informações relevantes por parte da Beattie, o que, de acordo com a legislação nacional e internacional, justificaria a negativa do visto.
Atualmente, Beattie atua como consultora para Políticas sobre o Brasil e chefe do Escritório de Assuntos Educacionais e Culturais do Departamento de Estado. Ele já foi subsecretário de Diplomacia Pública e é crítico ao ministro Alexandre de Moraes, a quem acusa de transparência de direitos humanos.
Beattie não é diplomata de carreira e tornou-se interlocutora próxima do bolsonarismo na equipe do secretário de Estado Marco Rubio. Ligado ao movimento político de Donald Trump, foi redator de discursos na Casa Branca e deixou o governo após participar de uma reunião associada ao supremacismo branco.
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