Política
Visita de assessor de Trump a Bolsonaro pode configurar ingerência, alerta Itamaraty
Ministro Mauro Vieira afirma ao STF que encontro de representante de Trump com Bolsonaro pode ser interferência em ano eleitoral.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 12, que a visita pretendida por Darren Beattie, assessor do ex-presidente norte-americano Donald Trump, ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pode configurar "indevida ingerência" nos assuntos internos do Brasil.
No documento encaminhado ao STF, Vieira argumenta que "a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro".
A manifestação foi enviada ao ministro Alexandre de Moraes após pedido do relator, feito na quarta-feira, 11, para que o Itamaraty esclarecesse a agenda diplomática de Darren Beattie, atual assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Segundo Mauro Vieira, Beattie só solicitou reunião com representantes do governo brasileiro após apresentar, por meio da defesa de Bolsonaro, o pedido de visita ao ex-presidente. O ministro destacou que a ordem das solicitações indica que o componente diplomático foi invocado para justificar a visita prisional, e não o contrário.
De acordo com o documento, o visto de Beattie foi autorizado com base em comunicado do Departamento de Estado americano, que informava sua participação em uma conferência sobre minerais críticos e reuniões oficiais com representantes do governo brasileiro. O evento citado é o Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, previsto para ocorrer em São Paulo, no próximo dia 18, na sede da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).
Para o ministro, "o pedido de visita ao ex-presidente não se enquadra nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado".
O ministro Alexandre de Moraes havia autorizado o encontro para a manhã de 18 de março, das 8h às 10h, com a presença de um intérprete. A quarta-feira é dia de visitação na Papudinha, diferentemente das datas solicitadas pelos advogados de Bolsonaro. A defesa do ex-presidente pediu reconsideração do dia e horário, alegando conflito com a "agenda diplomática" de Beattie.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de reclusão e detenção, em regime fechado, imposta pelo STF. Ele está recolhido na Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, localizada no Complexo Penitenciário da Papuda.
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