Política

Gonet rebate Mendonça e defende análise criteriosa da PGR em investigação do Master

Procurador-geral afirma que manifestação do Ministério Público não é mera formalidade e destaca complexidade das apurações sobre o Banco Master.

06/03/2026
Gonet rebate Mendonça e defende análise criteriosa da PGR em investigação do Master
O procurador-geral da República, Paulo Gonet. - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, respondeu nesta sexta-feira (6) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendendo a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) na análise dos pedidos feitos pela Polícia Federal (PF) na investigação sobre o Banco Master. Gonet enfatizou que a manifestação do Ministério Público em casos criminais não pode ser encarada como uma "formalidade vazia de importância".

A declaração foi uma reação ao posicionamento de Mendonça, relator do inquérito que apura supostas fraudes envolvendo o banco. O ministro havia criticado a PGR por considerar não haver urgência comprovada para uma análise rápida da terceira fase da operação, que resultou na prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro, e pediu mais prazo para se manifestar. Mendonça classificou a postura como uma "demora perigosa".

Segundo Gonet, os documentos analisados pela PGR continham um volume expressivo de informações. Ele destacou que cada petição apresentada pela Polícia Federal com as "revelações" da investigação ultrapassava 700 páginas.

O procurador-geral ressaltou ainda que as representações precisam ser avaliadas em conjunto com outros elementos do inquérito. "Os fatos – mesmo os mais graves – não podem deixar, por exemplo, de ser situados no tempo, até mesmo para que os pressupostos das medidas requeridas sejam avaliados em boa técnica", afirmou.

Gonet também destacou que, conforme entendimento consolidado do próprio STF, a gravidade do delito não é suficiente, por si só, para justificar qualquer medida cautelar no processo penal.

Milícia privada

De acordo com a PF, Daniel Vorcaro integra uma "organização criminosa" composta por "profissionais do crime", conhecida como "A Turma", que utilizaria violência e coação como uma espécie de "milícia privada". Esse entendimento fundamentou a prisão do empresário. Além dele, foram cumpridos outros três mandados de prisão – um deles contra o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel – e quinze de busca e apreensão.

O grupo seria formado por Vorcaro, Zettel, o policial aposentado Marilson Silva e Luiz Phillipi Mourão, apelidado de "Sicário", termo que significa assassino de aluguel. Todos foram presos.

Fontes da PF em Minas Gerais chegaram a afirmar que o "Sicário" de Daniel Vorcaro teria se suicidado enquanto estava sob custódia dos federais na Superintendência Regional do órgão no estado. Entretanto, a defesa de Luiz Phillipi afirma que ele está vivo, porém em estado grave. A PF abriu investigação para apurar o caso.