Política

Comissão aprova suspensão de exigência de documentos da Funai para indígenas em barcos de navegação interior

Projeto susta norma da Antaq que impõe identificação específica a indígenas; proposta segue para outras comissões antes de ir ao Plenário.

06/03/2026
Comissão aprova suspensão de exigência de documentos da Funai para indígenas em barcos de navegação interior
Comissão da Câmara aprova suspensão de norma sobre identificação de indígenas em barcos de navegação interior. - Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 300/22 , de autoria da ex-deputada Joenia Wapichana. A proposta suspende a exigência de documentos expedidos pela Fundação Nacional do Índio (Funai) para o embarque de indígenas em embarques de navegação interior.

O projeto anula trecho da Resolução 81/22, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), que determina que, em percursos nacionais, a identificação de indígenas seja feita por documento de identidade ou por autorização da Funai. Para viagens internacionais, é necessário passaporte ou carteira de identidade válida no Mercosul.

A relatora, deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), recomendou a aprovação do projeto. Segundo ela, a norma da Antaq cria um regime jurídico diferenciado que prejudica o direito de ir e vir dos povos originários.

Direito

Célia Xakriabá argumenta que a Constituição assegura a todos os cidadãos a liberdade de locomoção e que não cabe a uma agência reguladora impor requisitos discriminatórios para o acesso ao transporte. “Ao condicionar o embarque de pessoas indígenas a documento 'autorizativo' da Funai, a Resolução cria requisito discricionário e discriminatório, fora dos limites legais de sua atuação regulatória”, afirmou a relatora em seu parecer.

Para o autor do projeto, a regra da Antaq reforça o racismo estrutural ao tratar indígenas de forma segregada em relação aos demais brasileiros.

Próximas etapas

A proposta será ainda comprovada pelas comissões de Viação e Transportes, e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em seguida, seguirá para votação no Plenário. Para mudar a lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.