Política
Câmara dos Deputados adota votações remotas durante janela partidária
Casa ficará esvaziada até 3 de abril, data que marca o fim do período de trocas partidárias sem punição
A Câmara dos Deputados implementará um sistema de votações remotas durante uma janela partidária, iniciada nesta quinta-feira, 5. A exceção será entre 16 e 20 de março, quando ocorrerão sessões presenciais. Com isso, a Casa deverá permanecer vazia até 3 de abril, data que encerra o período permitido para trocas de partido sem avaliação.
Durante esse período, os deputados poderão registrar seus votos pelo sistema digital da Câmara, o Infoleg, o que possibilita a participação nas deliberações sem a necessidade de presença física no plenário.
Uma janela partidária é um intervalo de 30 dias no qual os políticos podem mudar de partido sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária.
De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esse mecanismo permite a “reorganização das forças políticas antes das eleições gerais de outubro”. A janela é aberta sete meses antes do pleito.
Presidentes da República, governadores e senadores podem trocar de partido sem a necessidade de apresentar justa causa para a desfiliação da legenda.
No caso dos deputados, a Justiça Eleitoral entende que o mandato pertence ao partido pelo qual o político foi eleito, e não ao indivíduo, uma vez que a eleição ocorre pelo sistema proporcional.
Por esse motivo, o parlamentar precisa apresentar justa causa para se desfiliar da sigla. Contudo, durante uma janela partidária, a troca de legenda é considerada uma justificativa legal.
Debandada no União Brasil
Como revelou o Estadão, políticos do União Brasil insatisfeitos com o comando do presidente do partido, o advogado Antonio Rueda, articulou uma debandada da legenda durante uma janela partidária. Os parlamentares estimam que pelo menos 20 nomes, entre deputados e senadores, deverão deixar o partido.
Entre os possíveis dissidentes estão o líder da sigla no Senado, Efraim Filho (PB), e os deputados Pauderney Avelino (AM), Coronel Assis (MT), Eduardo Velloso (AC), Felipe Francischini (PR), Padovani (PR), Danilo Forte (CE) e Mendonça Filho (PE), entre outros. Eles negociam filiação a partidos como PL, PSD, Novo e PSDB.
A União Brasil conta atualmente com uma bancada de 58 deputados na Câmara e cinco senadores.
Parlamentares ouvidos pela Coluna do Estadão apontam falta de "noção" de Rueda, que, segundo eles, não estariam interessados em fortalecer os quadros do partido nem em "fazer política, mas fazer negócios".
Procurado, Antonio Rueda afirmou, por meio de nota, que "a União Brasil respeita a dinâmica da política brasileira" e que "a janela partidária é um instrumento legítimo da democracia". O dirigente acrescentou que o partido está se fortalecendo e “consolidando um projeto nacional consistente para 2026”.
Câmara vazia após o carnaval
Menos de um mês após o carnaval, a Câmara volta a registrar baixo movimento. Como mostrou o Estadão, já na quarta-feira que antecedeu o feriado, o Congresso estava praticamente vazio.
No Senado, toda a semana que antecedeu o carnaval teve baixa atividade. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), determinou regime semipresencial, sem votações em plenário. Com isso, as duas CPIs em funcionamento – a do INSS e a do Crime Organizado – cancelaram as ações.
Na Câmara, o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) antecipou os trabalhos para a segunda-feira e realizou votações naquele dia e na terça. A sessão plenária de quarta-feira foi cancelada.
Durante toda a semana do carnaval, não houve sessões na Câmara, inclusive entre quarta e sexta-feira.
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