Política
Transparência Internacional: crime organizado infiltrado nas 'altas esferas do Estado'
Após a prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Transparência Internacional Brasil publicou uma nota nesta quinta-feira, 5, afirmando que o escândalo, que expôs as ligações do banqueiro com autoridades e figuras políticas brasileiras, é um alerta de que "lideranças de organizações criminosas violentas infiltraram-se nas mais altas esferas do Estado".
Vorcaro foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 4. Na nova etapa das investigações, foram reveladas mensagens no celular do banqueiro que sugerem a proximidade do empresário com figuras como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A nota da Transparência Internacional Brasil faz um alerta afirmando que as organizações criminosas estão "operando negócios obscuros até mesmo dentro do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal". Segundo a entidade, o “crime organizado domina territórios pelo poder bélico, mas captura o Estado pelo poder financeiro e pela corrupção”.
“O aliciamento de autoridades ocorre por meio de contratos superfaturados e sem lastro, convites e favores luxuosos, financiamento ilícito de campanhas e outras formas, mais ou menos explícitas, de suborno e influência indevida”, escreve a entidade.
Após a operação, o pesquisador que Vorcaro tinha à sua disposição uma espécie de milícia privada que coletava informações confidenciais, espionava ilegalmente e ameaçava adversários, autoridades e jornalistas. Esse é o caso revelado pelas mensagens do celular do banqueiro contendo um plano para que o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo, fosse agredido em um assalto forjado.
Segundo a Polícia Federal, Vorcaro e seus ajudantes chegaram ao acesso aos sistemas restritos do Ministério Público, da Polícia Federal e até de organismos internacionais como o FBI e a Interpol.
Um de seus ajudantes, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, também foi detido na operação da PF, mas se suicidou na prisão nesta quarta-feira. O "Sicário" era responsável pela obtenção de informações provisórias, monitoramento de adversários e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses de Vorcaro.
Segundo a Transparência Internacional Brasil, "o avanço avassalador do crime organizado e a audácia de suas lideranças resultaram diretamente do desmonte, em poucos anos, dos marcos legais e institucionais anticorrupção que levaram décadas para serem construídos".
Veja a nota completa
A prisão de Vorcaro e a exposição de seus métodos milicianos reforçam um alerta urgente ao Brasil: lideranças de organizações criminosas violentas infiltraram-se nas mais altas esferas do Estado, operando negócios obscuros até mesmo dentro do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal.
O crime organizado domina territórios pelo poder bélico, mas captura o Estado pelo poder financeiro e pela corrupção. O aliciamento de autoridades ocorre por meio de contratos superfaturados e sem lastro, convites e favores luxuosos, financiamento ilícito de campanhas e outras formas, mais ou menos explícitas, de suborno e influência indevida.
O avanço avassalador do crime organizado e a audácia de suas lideranças resultaram diretamente do desmonte, em poucos anos, dos marcos legais e institucionais anticorrupção que levaram décadas para serem construídos. A anulação das provas generalizadas e das condenações no maior e mais bem documentado caso de corrupção transnacional já revelado, os descontos, suspensões e anulações de multas, a devolução de fortunas confiscadas e repatriadas a corruptos outros condenados, a reabilitação de empresários corruptos com acesso privilegiado até ao gabinete presidencial, os retrocessos nas leis anticorrupção, as reversões casuísticas de denúncia, a manipulação institucional do sistema de Justiça e a corrosão moral de magistrados, a prisão da advocacia lobista e corrupta, o silêncio da OAB, a perda de independência da PGR com o fim da lista tríplice, o sequestro do discurso anticorrupção pelo populismo autoritário, as campanhas de difamação, vilanização e assédio judicial contra juízes, promotores, policiais, auditores, jornalistas e ativistas que confrontam interesses corruptos poderosos, o apagamento das vítimas e de seus direitos violados - tudo isso compõe esse quadro trágico.
O Brasil precisa observar atentamente o que ocorreu em países como México, Guatemala e Equador, onde a corrupção sistêmica triunfou e o crime organizado se instalou como poder constituído.
Há, em todos os poderes e em todos os segmentos sociais brasileiros, lideranças comprometidas com o combate à corrupção e a promoção da integridade. É vital que se unam e reajam antes que seja tarde demais.
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