Política
Um mês após anúncio, Caiado ainda não se filiou e pressiona PSD por definição de candidato
Governador de Goiás segue oficialmente no União Brasil e quer antecipação da escolha do nome do partido para a disputa presidencial.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ainda não oficializou sua filiação ao PSD. Mais de um mês após anunciar, ao lado de Gilberto Kassab (PSD), que mudaria de partido, documento da Justiça Eleitoral obtido pelo Estadão confirma que ele segue registrado como filiado ao União Brasil.
Caiado foi procurado pela reportagem, tanto por mensagem quanto pela assessoria de imprensa, mas até a publicação desta matéria não respondeu aos contatos, assim como o PSD.
Em entrevista ao site O Popular, de Goiás, o governador afirmou que está tudo certo para sua filiação ao PSD, mas que aguarda um evento partidário no estado para oficializar a entrada. Ele não detalhou como será a cerimônia.
"Não depende de mais nada. Já está acertado, com a palavra dada. É um evento que eu também vou fazer no meu estado. Não será simplesmente uma assinatura, será um evento", afirmou Caiado na noite de terça-feira, 3.
O governador também confirmou ter solicitado a Kassab que a decisão sobre o candidato do PSD seja tomada até 3 de abril, data-limite para filiação de quem pretende disputar as eleições deste ano.
Até o momento, o presidente do PSD tem dito que a escolha será feita até 15 de abril. Além de Caiado, também estão na disputa interna os governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), ambos do PSD.
"Sim, solicitei a antecipação. Acho que é fundamental. Não tem por que esperarmos tanto tempo. Temos que começar a caminhar o Brasil. Eu, a partir do dia 31, já não sou mais governador do Estado e tenho que caminhar o País", acrescentou Caiado ao jornal goiano.
Durante um almoço com banqueiros nesta quarta-feira, Ratinho Jr. afirmou que a expectativa é de que "até o final de março, início de abril isso já esteja definido".
Apesar de Caiado afirmar que sua ida ao PSD está acertada, um operador político ouvido pelo Estadão disse que a filiação ainda não foi formalizada na Justiça Eleitoral por estratégia: Caiado quer manter margem para se filiar a outro partido, caso não seja o escolhido do PSD. Antes do anúncio de ida ao partido de Kassab, ele também conversou com Solidariedade e Podemos.
A legislação eleitoral exige que todos os candidatos estejam filiados ao partido pelo qual disputarão a eleição até seis meses antes do primeiro turno. Neste ano, o prazo é 3 de abril. Caso o calendário de Kassab seja mantido, Caiado, Ratinho e Leite não poderão mais trocar de legenda depois da escolha do PSD.
Questionado pelo Estadão sobre a possibilidade de migrar para outra sigla nas próximas semanas, Caiado não respondeu. Em entrevistas anteriores, após anunciar a ida ao PSD, ele declarou que respeitaria a decisão do partido mesmo se não fosse o escolhido.
Caiado, Leite e Ratinho acompanharão Kassab em um giro por cidades paulistas a partir desta sexta-feira, 6. Até segunda-feira, 9, os quatro participarão de filiações e debates sobre propostas do PSD em São Paulo, Santos, Itapevi, Presidente Prudente e Sorocaba.
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