Política

Lula pede a líderes do Conselho de Segurança da ONU ação contra a fome global

Presidente brasileiro critica aumento dos gastos militares e propõe priorizar segurança alimentar mundial

04/03/2026
Lula pede a líderes do Conselho de Segurança da ONU ação contra a fome global
Lula pede a líderes do Conselho de Segurança da ONU ação contra a fome global - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez, nesta quarta-feira (4), um apelo aos chefes de Estado dos países membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) — França, Reino Unido, Rússia, China e Estados Unidos — para que priorizem o combate à fome em vez do aumento de gastos militares. A declaração ocorreu durante a conferência de abertura da 39ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

“Está todo mundo pensando que os conflitos vão se agravar e todo mundo quer mais armas, todo mundo quer mais bomba atômica, todo mundo quer mais drones, todo mundo quer aviões de caça cada vez mais caros”, afirmou Lula. "São apenas cinco pessoas que poderiam fazer uma convocação, fazer uma teleconferência. Não precisaria ninguém correr risco, ninguém seria atacado por drone à noite, ninguém seria vítima de mísseis."

O presidente questionou se a prioridade da comunidade internacional deveria ser a produção de armamentos cada vez mais sofisticados ou o aumento da produção e distribuição de alimentos, além do aumento da renda da população para garantir a segurança alimentar. Lula argumentou que, caso os US$ 2,7 trilhões gastos globalmente no último ano com armamentos e conflitos fossem direcionados a 630 milhões de pessoas que enfrentaram fome no mundo, seria possível repassar cerca de US$ 4.285 para cada indivíduo. Segundo ele, esse valor demonstra que o problema da fome poderia ser resolvido caso houvesse maior prioridade política.

Lula ressaltou que o cenário internacional tem sido marcado por uma escalada na corrida armamentista diante do temor de agravamento de conflitos. “Fico emocionado em saber que a fome mexe muito pouco com o coração dos governantes do mundo” , declarou.