Política

Ex-secretária do 'Careca do INSS' afirma ter acesso a cofre da empresa

02/03/2026
Ex-secretária do 'Careca do INSS' afirma ter acesso a cofre da empresa
Ex-secretária relata acesso ao cofre da empresa de empresário investigado pela CPMI do INSS.

A ex-secretária Aline Barbara Mota de Sá Cabral, que atuou para o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", declarou que tinha acesso ao cofre da empresa e repassava dinheiro ao motorista para pagamentos de insumos, seguindo orientações do chefe. Ela, no entanto, não soube informar o montante mantido no cofre.

Aline Cabral prestou depoimento nesta segunda-feira (2) como testemunha na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Notícias relacionadas:

A ex-secretária também afirmou não saber a origem do dinheiro nem do enriquecimento do empresário.

“Eu não tinha acesso a contas bancárias e não fazia pagamentos”.

O empresário, conhecido como Careca do INSS, é investigado por suspeita de liderar um esquema de fraudes no INSS, com descontos indevidos em aposentadorias.

Aline Cabral declarou desconhecer a origem dos recursos movimentados por Antunes. Segundo ela, o empresário se apresentou como um “empresário de sucesso” ao contratá-la.

Carros de luxo

A ex-secretária, que chegou ao cargo de gerente de recursos humanos, confirmou ter conhecimento de que Antunes possuía carros de luxo, como Porsche e Mercedes.

Ela negou ter feito anotações relacionadas a porcentagens destinadas a agentes públicos.

“Eu nunca fiz tais anotações. E quando aconteceu a operação [de investigação da Polícia Federal], não era eu a secretária dele”.

Aline Cabral também negou envolvimento em decisões estratégicas sobre a destinação de recursos.

No início do depoimento, a ex-secretária recebeu habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantindo-lhe o direito ao silêncio. Mesmo assim, ela optou por responder a algumas perguntas dos parlamentares da CPMI.

Durante o depoimento, Aline Cabral negou que tenha comprado passagem ou repassado recursos ao empresário Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.

Outro depoimento

A CPMI também havia programado para esta segunda-feira o depoimento do advogado Cecílio Galvão. A comissão manteve a condução coercitiva e o depoimento está previsto para a próxima quinta-feira (5).

Galvão será questionado sobre supostos contratos milionários com associações investigadas por desvios de benefícios.