Política
Ex-secretária do 'Careca do INSS' nega envolvimento em irregularidades
Aline Barbara Mota de Sá Cabral disse desconhecer esquema de fraudes e afirmou não lembrar de repasses de dinheiro a terceiros.
Ouvida pela CPMI do INSS nesta segunda-feira (2), Aline Barbara Mota de Sá Cabral admitiu que teve acesso ao cofre de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", mas afirmou não se recordar de ter repassado dinheiro do cofre, por exemplo, ao motorista de Antunes. Aline exerceu os cargos de secretária e, posteriormente, gerente administrativa do investigado.
O relator da comissão, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), destacou relatos apresentados à CPMI segundo os quais Aline seria responsável por separar valores para o pagamento de propinas.
Antunes é suspeito de liderar um dos principais esquemas de fraudes no INSS, envolvendo descontos indevidos em aposentadorias sem autorização dos beneficiários. Aline declarou desconhecer a origem dos recursos movimentados por Antunes, que, segundo ela, se apresentou como um “empresário de sucesso” ao contratá-la.
— A senhora já retirou, alguma vez, dinheiro do cofre para repassar para esse motorista do senhor Antônio [Carlos Camilo Antunes]? — questionou Alfredo Gaspar.
— Pode ser que sim, mas eu não vou ter certeza. Eu não me lembro — respondeu Aline.
Apontada pelo relator como “braço direito” de Antunes, Aline também relatou ter acompanhado a compra de um imóvel feita por Antunes da publicitária Danielle Fonteles, em Trancoso (BA), mas disse desconhecer o valor da negociação e negou participação no pagamento. Danielle Fonteles teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pela CPMI em requerimento aprovado em 26 de fevereiro.
Aline afirmou que seu acesso ao cofre da empresa foi autorizado por Antunes para a aquisição de “insumos para o escritório”. Ela disse não saber quanto dinheiro havia no cofre e que não registrava as retiradas.
A depoente compareceu à CPMI amparada por habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, para garantir seu direito ao silêncio. Apesar disso, respondeu a diversas perguntas durante a sessão. O relator Alfredo Gaspar criticou o uso do habeas corpus, ressaltando que “mesmo um habeas corpus do STF tem limites” diante de questionamentos que não incriminem a testemunha.
— Nos meus 24 anos de Ministério Público, eu ouvi milhares de testemunhas. Sabe quantas chegaram com habeas corpus? (…) Na minha atuação como promotor, nenhuma. Mas nós estamos vivendo novos tempos no país — declarou o relator.
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