Política

CPMI do INSS aprova quebra de sigilos de Lulinha e Master e sessão termina em confusão

Após articulação do governo, comissão aprova requerimentos que atingem aliados e oposição, e sessão é marcada por briga e interrupção.

26/02/2026
CPMI do INSS aprova quebra de sigilos de Lulinha e Master e sessão termina em confusão
- Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou, nesta quinta-feira (26), todos os requerimentos em pauta, incluindo pedidos de quebra de sigilo de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, ex-parlamentares e investigados pela Polícia Federal suspeitos de participação em fraudes de descontos associativos. Entre os alvos também está Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

O governo articulou para que todos os 87 requerimentos fossem votados em bloco, com o objetivo de derrubá-los em conjunto. No entanto, a oposição insistiu na votação individual dos itens. Ao final, em votação simbólica, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), declarou vitória da oposição, o que gerou tumulto no plenário.

A sessão foi interrompida após discussões acaloradas e a transmissão pela TV Senado foi suspensa. O episódio tornou a reunião uma das mais tensas e importantes desta fase final dos trabalhos da comissão, já que os requerimentos aprovados serão analisados antes do encerramento do colegiado, em 28 de março.

Durante a confusão, membros do governo tentaram se aproximar da mesa onde estavam o presidente e o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A Polícia Legislativa e deputados da oposição intervieram para conter os ânimos. O clima esquentou especialmente após um desentendimento entre os deputados Rogério Correia (PT-MG), da base governista, e Evair Vieira de Melo (PP-ES), da oposição.

Parlamentares governistas defendiam a votação em bloco, alegando que o presidente da CPMI estaria blindando a oposição ao pautar apenas requerimentos favoráveis a ela. “A partir do momento que o senhor (Viana) colocar na pauta os requerimentos, estamos dispostos a analisar os demais requerimentos. O senhor coloca na pauta requerimentos já rejeitados e não coloca elementos que não foram analisados”, criticou um dos membros.

Deputados petistas também cobraram que a CPMI pautasse investigações contra o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, integrantes da Igreja Lagoinha — da qual Viana faz parte — e ex-aliados do governo Bolsonaro, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).