Política
Maioria dos brasileiros defende criação de código de ética para ministros do STF
Pesquisa Genial/Quaest mostra que 82% dos entrevistados apoiam a formalização de regras para a conduta dos ministros do Supremo
Uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest revela que 82% dos brasileiros defendem a criação de um código de ética e conduta específico para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (12), aponta que a ampla maioria considera necessária a formalização de regras para os integrantes da Corte.
De acordo com o estudo, apenas 10% discordam da proposta, enquanto 1% afirmou não concordar nem discordar. Outros 7% não souberam ou preferiram não responder.
A pergunta feita aos entrevistados foi direta: "O STF precisa de um código de ética e conduta para os ministros?"
Concordância em todos os segmentos
O apoio à medida é majoritário em todos os recortes analisados. Regionalmente, a concordância varia de 76% no Nordeste a 86% no Sul. No Sudeste, o índice chega a 84%, enquanto no Centro-Oeste/Norte marca 79%.
Por faixa etária, o apoio é maior entre jovens de 16 a 34 anos (85%) e diminui para 74% entre os que têm 60 anos ou mais. Entre homens, 84% defendem o código; entre mulheres, 79%.
A pesquisa também mostra que a proposta atravessa divisões políticas. Entre eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022, 88% concordam com a necessidade do código. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o percentual é de 76%. No recorte ideológico, a concordância vai de 74% entre lulistas a 92% entre os que se declaram de direita não bolsonarista.
Entre os que aprovam o governo Lula, 76% defendem a medida; já entre os que desaprovam, o índice sobe para 87%.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Repercussão do caso Banco Master
A divulgação da pesquisa ocorre em meio à repercussão do caso Banco Master, que colocou sob escrutínio a atuação dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Nesta quinta-feira, Toffoli, relator do caso na Corte, confirmou, em nota, que integra o quadro societário da empresa Maridt, que foi sócia do resort Tayayá, no Paraná. A Maridt vendeu, em 2021, participação no empreendimento a um fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, acusado de liderar esquema de fraude sob análise do próprio ministro. Toffoli afirma não manter relação de amizade com Vorcaro nem ter recebido valores do empresário.
A nota foi divulgada após a Polícia Federal (PF) solicitar, na quarta-feira (11), a suspeição do ministro no caso envolvendo o Master, após encontrar menções ao nome do magistrado no celular de Vorcaro.
Além das mensagens relacionadas a Toffoli, a PF identificou conversas entre o banqueiro e o ministro. A informação foi publicada pelo site UOL e confirmada pelo Estadão junto a fontes com acesso à investigação.
O caso também alcançou Alexandre de Moraes. Em dezembro, o jornal O Globo revelou um contrato de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro.
Essas revelações intensificaram o debate sobre a necessidade de regras específicas para disciplinar a participação de ministros em atividades privadas e a gestão de possíveis conflitos de interesse, tema já discutido pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e defendido por setores do Congresso Nacional.
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