Política

Justiça italiana rejeita pedido de Zambelli para troca de juízes em processo de extradição

Decisão mantém o mesmo colegiado responsável por analisar o envio da ex-deputada ao Brasil; julgamento está previsto para esta quarta-feira.

10/02/2026
Justiça italiana rejeita pedido de Zambelli para troca de juízes em processo de extradição
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Justiça da Itália negou, nesta terça-feira (10), o pedido da defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) para a troca do colegiado de juízes responsável pelo processo de extradição da ex-parlamentar para o Brasil.

Zambelli, que está detida na Penitenciária Feminina de Rebibbia, em Roma, poderá recorrer da decisão. Até o fechamento desta matéria, a defesa da ex-deputada não havia se manifestado.

Após quatro adiamentos, o julgamento que decidirá sobre a extradição de Zambelli está previsto para ocorrer nesta quarta-feira (11).

Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Zambelli teve a extradição solicitada pelo Brasil após deixar o país, o que resultou em sua prisão pela polícia italiana. Agora, cabe à Justiça italiana analisar e concluir o procedimento para definir se a extradição será autorizada, especialmente porque a ex-parlamentar também possui cidadania italiana.

A defesa da ex-deputada mantém “boa expectativa” quanto ao desfecho da audiência. Segundo o advogado Fabio Pagnozzi, que representa Zambelli na Itália, o senador italiano Matteo Gelmetti tem atuado junto ao Ministério da Justiça italiano para tentar barrar a extradição, alegando suposto desrespeito a garantias processuais no Brasil por parte do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

De acordo com apuração do Estadão, Zambelli foi localizada por meio de ação conjunta do adido da Polícia Federal em Roma, que atua na embaixada brasileira, e autoridades italianas. A prisão ocorreu no mesmo dia da publicação do mandado. Desde então, ela permanece detida na capital italiana.

No Brasil, Zambelli foi condenada duas vezes pelo STF. Na primeira ação, recebeu pena de dez anos de prisão por invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto. Ele afirmou ter sido contratado por Zambelli para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.

Após essa condenação, Zambelli deixou o País e foi presa na Itália em operação conjunta da Polícia Federal e autoridades locais.

Na segunda condenação, o STF fixou pena de cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, com perda do mandato após o trânsito em julgado.

O caso envolve ainda um episódio ocorrido no dia das eleições de 2022. Em vídeos divulgados nas redes sociais e em posse da Polícia Civil, Zambelli aparece empunhando uma pistola enquanto persegue um homem negro, que é agredido por outras pessoas. Um tiro é disparado pelo grupo do qual a deputada fazia parte. Carla Zambelli alega ter sido agredida.