Política

Comissão do STJ que apura assédio sexual contra Marco Buzzi será formada apenas por homens

Ministra que integrava comissão se declarou impedida e foi substituída por outro homem; sindicância pode levar à aposentadoria compulsória do ministro.

09/02/2026
Comissão do STJ que apura assédio sexual contra Marco Buzzi será formada apenas por homens
Comissão do STJ que apura assédio sexual contra Marco Buzzi será formada apenas por homens - Foto: Reprodução

A comissão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) encarregada de investigar se o ministro Marco Buzzi cometeu assédio sexual será composta exclusivamente por homens. Inicialmente, o grupo incluía a ministra Isabel Gallotti, além de Antonio Carlos Ferreira e Raul Araújo. No entanto, Gallotti se declarou impedida e deixou o caso, sendo substituída por Francisco Falcão.

O STJ possui atualmente 33 integrantes, dos quais apenas seis são mulheres. Quando a família da jovem que acusa Buzzi procurou membros do tribunal para relatar o episódio, um grupo de ministras se dirigiu ao presidente do STJ, Herman Benjamin, para comunicar os fatos.

A sindicância aberta no STJ é um processo administrativo que pode resultar na aposentadoria compulsória do ministro. Buzzi também responde a um procedimento semelhante no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Paralelamente, o boletim de ocorrência registrado pela família da vítima na Polícia Civil de São Paulo foi encaminhado, na semana passada, ao Supremo Tribunal Federal (STF), instância responsável por processar e julgar ministros de tribunais superiores.

Na quinta-feira (5), um dia após a abertura da sindicância, Buzzi apresentou atestado médico ao presidente do STJ, informando que se sentiu mal e precisou ser internado em um hospital de Brasília. O atestado tem duração de dez dias, podendo ser renovado. Nos bastidores do tribunal, ministros avaliam como provável o afastamento de Buzzi das atividades enquanto durar a investigação.

A vítima, de 18 anos, estava de férias com os pais e a família de Buzzi em um imóvel do ministro em Balneário Camboriú (SC). Segundo o relato da jovem, ela foi agarrada à força por Buzzi no mar, conseguiu se desvencilhar e contou o ocorrido aos pais, que deixaram o local no mesmo dia.