Política

Projeto prevê exclusão da OAB para advogado que auxiliar organização criminosa

Proposta de Kim Kataguiri endurece punição para advogados ligados a facções ou terrorismo; expulsão pode ser automática em caso de condenação.

09/02/2026
Projeto prevê exclusão da OAB para advogado que auxiliar organização criminosa
Projeto propõe exclusão automática de advogados da OAB por envolvimento com organizações criminosas. - Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O Projeto de Lei 1114/25 propõe a exclusão dos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de profissionais que auxiliem organizações criminosas ou terroristas. A proposta, apresentada pelo deputado Kim Kataguiri (União-SP), altera o Estatuto da Advocacia.

Pelo texto, que está em análise na Câmara dos Deputados, a infração disciplinar será configurada mesmo que o advogado não utilize prerrogativas profissionais ao prestar o auxílio.

O projeto também determina que esses processos disciplinares tenham tramitação prioritária.

Expulsão automática
A proposta prevê a expulsão automática do advogado, determinada de ofício pelo presidente da OAB, nos casos de condenação criminal transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado.

Nessas situações, a exclusão ocorrerá sem necessidade de abertura de processo disciplinar interno.

Aprovação da maioria
Quando não houver condenação judicial definitiva, a exclusão dependerá do voto favorável da maioria absoluta dos membros do conselho seccional competente.

Atualmente, o estatuto exige o voto de dois terços dos conselheiros para aplicação da penalidade de exclusão.

Atuação das facções
Kim Kataguiri argumenta que a medida é uma resposta necessária diante da atuação cada vez mais sofisticada das facções criminosas, que buscam infiltrar integrantes no sistema de Justiça.

"O avanço do crime organizado no Brasil tem se manifestado de maneira alarmante nas últimas décadas, infiltrando-se em diversos setores da sociedade e do Estado", afirma o deputado.

Para ele, a nova tipificação é "crucial para que a OAB possa atuar de forma mais eficaz na proteção da ética profissional e da sociedade".

Próximos passos
O projeto será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em caráter conclusivo. Para virar lei, precisa ser aprovado pelos deputados e pelos senadores.